Leia texto em que delegado da PF denuncia interferência em ação no MEC

Delegado da PF disse que investigação foi “prejudicada” em razão de tratamento diferenciado dado pela polícia a ex-ministro de Bolsonaro

atualizado 24/06/2022 17:19

Milton Ribeiro, ministro da Educação durante evento no palacio do planaltoIgo Estrela/Metrópoles

O delegado da Polícia Federal (PF) Bruno Callandrini, que conduziu a Operação Acesso Pago, denunciou, em mensagem a colegas, uma suposta interferência sobre a ação que resultou na prisão do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro.

Calladrini afirmou que houve uma “decisão superior” para que Ribeiro, que estava em Santos, não fosse transferido para Brasília.

A Polícia Federal informou, em nota, ter aberto uma investigação interna para apurar a suposta interfência.

A operação apura a prática de tráfico de influência e corrupção para a liberação de recursos públicos do FNDE, vinculado ao Ministério da Educação. Além de Milton Ribeiro, foram presos outras quatro pessoas, incluindo os pastores Ariton Moura e Gilmar Santos.

Confira a íntegra da mensagem enviada pelo delegado a colegas:

Muito obrigado a todos pelo empenho na execução da Operação Acesso Pago.

A investigação envolvendo corrupção no MEC foi prejudicada no dia de ontem em razão do tratamento diferenciado concedido pela PF ao investigado Milton Ribeiro.

Vejo a operação policial como investigação na essência e o momento de ouro na produção da informação/prova.

O deslocamento de Milton para a carceragem da PF em SP * é demonstração de interferência na condução da investigação, por isso, afirmo *não ter autonomia investigativa e administrativa para conduzir o Inquérito Policial deste caso com independência e segurança institucional.

Falei isso ao Chefe do CINQ ontem, após saber que, por decisão superior, não iria haver o deslocamento de Milton Ribeiro para Brasília, e, manterei a postura de que a investigação foi obstaculizada ao se escolher pela não transferência de Milton a Brasília à revelia da decisão judicial.

As equipes de Gyn, Brasília, Belém e Santos, que cumpriram a missão de ontem, trabalharam com obstinação nas ruas e no suporte operacional, um trabalho hercúleo para o cumprimento dos mandados durante a Operação Acesso Pago, literalmente se esforçaram 24/7 e foram aguerridos em capturar todos os alvos. Faço referência especial às equipes de GYN que, mesmo após a prisão, ainda escoltaram os presos via terrestre, para a SR/PF/DF, incontinenti.

No entanto, o principal alvo, em São Paulo, foi tratado com honrarias não existentes na lei, apesar do empenho operacional da equipe de Santos que realizou a captura de Milton Ribeiro, e estava orientada, por este subscritor, a escoltar o preso até o aeroporto em São Paulo para viagem à Brasília,

Quantos presos de Santos, até ontem, foram levados para a carceragem da SR/PF/SP?

É o que tinha a manifestar em lealdade a vocês que cumpriram a missão de ontem com o espírito do verdadeiro policial feceral.

Abraço.

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