Vigilante: “Enquanto Dirceu é preso, Moro confraterniza com tucanos”

Provocação do distrital foi feita na manhã desta sexta (18), antes da visita ao ex-chefe da Casa Civil, que deverá se entregar até as 17h

atualizado 18/05/2018 12:05

Michael Melo/Metrópoles

No dia determinado pela Justiça para voltar à prisão, José Dirceu (PT) acordou cedo. O motivo seria em virtude de algumas visitas. Um dos primeiros a aparecer a fim de prestar solidariedade foi o distrital Chico Vigilante (PT). O parlamentar do DF chegou ao apartamento por volta das 8h15, tocou o interfone, mas só conseguiu subir cerca de 40 minutos depois, pois teve de esperar o ex-ministro da Casa Civil terminar de tomar banho.

Enquanto aguardava, Vigilante conversou com jornalistas que fazem plantão em frente ao prédio onde reside o ex-todo poderoso ministro do governo Lula, na Quadra 305 do Sudoeste. Em tom provocativo, o deputado não deixou de alfinetar o juiz Sérgio Moro. “Enquanto Dirceu está sendo preso, o Moro confraterniza com os tucanos em Nova York”, disparou.

Sobre o desejo do companheiro de partido de cumprir a pena no Complexo Penitenciário da Papuda, na capital federal, Vigilante se mostrou cético. “Ele quer ficar em Brasília, mas certamente deve ir para Curitiba. Mas os advogados depois vão lutar pela volta dele”.

Quem também esteve no imóvel foi a sogra de Dirceu, Marília Tristão de Godoy. Ela se mostrou preocupada com a situação da família. “Saber que isso está acontecendo com um homem bom me entristece. Tantas pessoas ruins soltas por aí e a Justiça não faz nada. O que me faz chorar é o sofrimento da minha filha e neta”, lamentou.

Prazo até as 17h
José Dirceu deverá voltar à cadeia após a juíza substituta da 13ª Vara Federal de Curitiba (PR), Gabriela Hardt, ter determinado a prisão imediata do petista na noite dessa quinta-feira (17/5).

Condenado em segunda instância na Lava Jato, assim como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-chefe da Casa Civil teve negados, no início da tarde dessa quinta, os embargos de declaração contrários aos embargos infringentes já rejeitados pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), em Porto Alegre.

Ainda na noite de quinta (17), Dirceu distribuiu mensagem por meio de grupo de WhatsApp, na qual agradeceu a amigos e apoiadores a “gratidão e solidariedade de sempre”. “Vamos continuar nossa luta. Só vou mudar de trincheira. Juntos vamos vencer, derrotar o arbítrio, retomar o governo do país e restaurar a democracia”, destacou.

Derrotas na Justiça
Dirceu estava solto desde maio de 2017, após determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). O político foi preso em agosto de 2015, depois de ser condenado pelo juiz federal Sérgio Moro, em primeira instância, pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa no esquema de corrupção da Petrobras.

O político teve nova condenação, também por Moro, em maio de 2016: a 20 anos e 10 meses de prisão – sentença confirmada pelo TRF-4, em 26 de setembro do ano passado. A Corte, contudo, aumentou a pena para 30 anos e 9 meses de reclusão.

O ex-ministro é acusado de receber uma mesada repassada pelo lobista Milton Pascowitch. Segundo a acusação, a empreiteira Engevix pagava propina por meio de contratos fictícios feitos com a JD Consultoria, empresa de Dirceu, em troca de acordos com a Diretoria de Serviços da petrolífera.

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