Não durou nem 24 horas a designação do promotor Claudio Calo, da promotoria de investigação penal do Rio de Janeiro, para a investigação sobre as denúncias contra o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e seu ex-assessor Fabrício Queiroz, devido a movimentações financeiras consideradas atípicas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

O andamento das investigações no Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) tinha sido distribuído a Calo nessa segunda-feira (4/2) pela Central de Inquéritos do órgão. Nesta terça (5), contudo, o promotor se declarou suspeito em relação ao filho do presidente da República e declinou de conduzir a apuração. A informação foi divulgada no início desta noite pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo.

Veja cópia do documento com as justificativas de Claudio Calo:

Procedimento Mprj 2018.0045… by on Scribd


Segundo Jardim, a manifestação de suspeição foi entregue ao promotor Marcelo Muniz, da Central de Inquéritos do MPRJ. Claudio Calo justificou sua decisão informando que, “após profunda reflexão jurídica, em respeito à imagem do MPRJ e às investigações relativas aos relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), até mesmo diante da repercussão que o episódio vem tendo na mídia, juridicamente entendi ser mais oportuno que a investigação sobre o senador Flávio Bolsonaro seja conduzida pela Promotoria de Justiça de Investigação Penal tabelar”.

“Não se trata de declínio de atribuição, pois a atribuição, como se sabe, é da 24ª PIP, mas trata-se de questão de cunho pessoal. Desta forma, desligo-me do caso referido. Registro, porém, que além deste, o procurador-geral de Justiça declinou de sua atribuição em diversos outros episódios envolvendo servidores da Alerj para esta 24ª PIP, cujos procedimentos investigatórios serão todos presididos por mim, com exceção do caso envolvendo Flávio Bolsonaro”, acrescentou o promotor.

A permanência de Claudio Calo à frente da investigação poderia configurar “conflito patente”, visto o promotor ter diversas manifestações em sua conta de Twitter que refletem proximidade das ideias bolsonaristas. O promotor chegou a retuitar postagem de Carlos Bolsonaro, o segundo filho do presidente da República, com críticas à imprensa e defesa do pai. Também reproduziu entrevistas de Flávio sobre o caso Queiroz.

Agora, a investigação dentro do MPRJ volta ao início, sem a designação de um promotor responsável. Novo sorteio deve ser feito nesta quarta (6).