MPT recebe denúncia de assédio sexual e racismo no McDonald’s

Gerente de uma unidade teria tocado nas partes íntimas de uma funcionária e pedido “algo em troca” se ela quisesse subir de cargo

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atualizado 23/05/2019 20:04

O Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu uma denúncia de assédio sexual e discriminação racial contra 25 ex-funcionários da rede de fast-food McDonald’s no Brasil. O documento, elaborado pela União Geral dos Trabalhadores (UGT), ressalta que as evidências dessas práticas demonstram um padrão sistemático de abuso dos direitos dos funcionários da empresa.

“Nossa denúncia trata de um alarmante e inaceitável padrão de assédio sexual e racial nos restaurantes McDonald’s no Brasil”, observa Ricardo Patah, presidente da UGT. “Agradecemos o MPT por olhar com atenção para esse caso, e esperamos que a empresa tome medidas imediatamente para assegurar um local de trabalho livre desse tipo horrível de assédio sexual e racial, que demonstra ser muito comum em suas dependências”, acrescenta o texto, remetido semana passada ao Ministério Público do Trabalho.

Casos
Em um dos casos citados na denúncia, um jovem relata ter sido assediado por um colega de trabalho que exibia fotos nu e fazia comentários de teor sexual, como: “Já pensou em um desses na sua cama?”, “Vamos a um motelzinho” ou “Se ficar comigo, vai ter privilégios”. A vítima diz que também era assediado por uma atendente e, ao contar o episódio ao gerente da unidade, este não fez nada para coibir as ações.

Em outra denúncia, uma jovem afirma que o coordenador da unidade a abraçou em inúmeras oportunidades, acariciou seu corpo e ainda passou a mão em suas “partes íntimas”. Ele também teria seguido a funcionária ao banheiro e a intimidado com “convites maliciosos”.

Outra jovem alega ter sido abordada pelo gerente no vestiário, quando estava de sutiã: ele teria dito que os seios da subordinada eram “durinhos”. Mais tarde, avisou-a de que ela teria de “dar algo em troca” se quisesse subir de cargo.

Em relação aos casos de racismo, ex-funcionários se queixam de serem chamados de burros, “neguinha”, “macaca”, “negro”, “preto”, “negrinha cacheta”, “cabelo duro”, entre outros xingamentos, em alguns casos diante dos clientes da loja.

Segundo Ricardo Patah, as denúncias apresentadas indicam evidências de conduta semelhante em outras lojas do McDonald’s no país. “Ainda estamos efetuando levantamentos de ações individuais envolvendo assédio sexual e racial em outros estados da Federação. Esperamos que o Ministério Público do Trabalho tenha uma atuação firme diante desses casos, porque é bem possível que eles sejam apenas a ponta do iceberg de um problema sistêmico ou até mesmo estrutural do McDonald’s”, conclui o advogado. (Com informações do MPT)

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