MP: Queiroz demitiu ex-mulher de miliciano para blindar Flávio Bolsonaro

Áudios obtidos pelo MP durante Operação Os Intocáveis revelam pedido de demissão no mesmo dia em que caso se tornou público

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atualizado 05/09/2019 11:46

O ex-assessor Fabrício Queiroz demitiu uma funcionária – ex-mulher de um miliciano – que trabalhava para Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e autuou para evitar uma ligação entre o filho do presidente e o criminoso. A constatação tem como base investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro e foi publicada no jornal O Globo.

Em 6 de dezembro do ano passado, mesmo dia em que o caso foi a público, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, ex-mulher de Adriano Magalhães da Nóbrega, o “Capitão Adriano”, foi avisada via WhatsApp, por Queiroz, que ela havia sido exonerada do gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa (Alerj). Adriano é considerado pela polícia chefe de quadrilha de milicianos da Zona Oeste.

Queiroz explicou, durante a conversa, que o motivo era o fato de que ele e Flávio eram alvo de uma investigação. O ex-assessor ainda pediu à mulher que evitasse usar o sobrenome do miliciano. Em seguida, encaminhou pelo aplicativo uma imagem (foto em destaque) na qual Queiroz e Flávio aparecem juntos, lado a lado, no gabinete.

Procurado, Fabrício Queiroz confirmou a conversa com Danielle Mendonça, mas disse, por meio dos advogados, que “tais diálogos tinham como objetivo evitar que se pudesse criar qualquer suposição espúria de um vínculo entre ele e a milícia”. A íntegra da conversa foi extraída do celular da mulher durante a Operação Os Intocáveis.

Dez dias depois da conversa, Queiroz foi a São Paulo iniciar tratamento de câncer e lá permaneceu em silêncio. Na semana passada, o ex-assessor de Flávio Bolsonaro foi visto na recepção do Centro de Oncologia e Hematologia do Hospital Albert Einstein. De acordo com a reportagem, ele mora atualmente no Morumbi, Zona Sul de São Paulo.

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