MP de Goiás denuncia João de Deus por estupro e violação sexual

O médium está preso desde o dia 16 de dezembro. Acusação foi oferecida nesta sexta-feira (28/12)

Filipe Cardoso/Especial para o Metrópoles

atualizado 28/12/2018 19:01

O Ministério Público de Goiás (MPGO) apresentou à Justiça, nesta sexta-feira (28/12), a primeira denúncia contra João Teixeira de Faria, o João de Deus, por violação sexual e estupro de vulnerável.  O líder espiritual é acusado de abusar sexualmente de centenas de mulheres durante os atendimentos na Casa Dom Inácio de Loyola, na cidade de Abadiânia (GO).

A acusação do MPGO foi feita com base em quatro casos relatados entre abril e outubro deste ano, sendo dois por violação sexual e dois por estupro de vulnerável. Outros 10 que prescreveram são relatados no documento para ajudar na comprovação do modo de agir do médium. Cinco vítimas também constam da denúncia, mas os depoimentos delas precisam de diligências para serem confirmados.

O médium prestou o primeiro depoimento no MP nessa quarta-feira (26). Ele afirmou que não se lembra das mulheres que o acusam de violência sexual, uma vez que atendia aproximadamente 1,5 mil pessoas por sessão. Também negou ter praticado qualquer tipo de abuso contra suas seguidoras, segundo o advogado Alberto Toron.

O Ministério Público já coletou 78 depoimentos formais de mulheres que se dizem vítimas do líder espiritual. No dia 10 de dezembro, foi criado o denuncias@mpgo.mp.br, endereço de e-mail com finalidade única de receber denúncias. Mais de 600 mensagens já chegaram ao MPGO.

Do total, 260 se apresentam como vítimas em potencial. Onze residem no exterior: quatro nos Estados Unidos, três na Austrália, uma na Alemanha, uma na Bolívia, uma na Bélgica e uma na Itália. Funcionário da Casa Dom Inácio de Loyola, Chico Lobo afirmou que o local está funcionando normalmente, apesar da prisão.

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Prisão
João de Deus cumpre prisão preventiva desde o dia 16 de dezembro, em Aparecida de Goiânia (GO). O Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) determinou o bloqueio de R$ 50 milhões em bens do médium. A decisão dessa quinta-feira (27) tem o objetivo de garantir eventuais indenizações. O dinheiro será usado para reparação das vítimas, caso o líder espiritual seja condenado por abusar sexualmente das denunciantes, bem como para evitar ocultação e dilapidação patrimonial.

De todo o valor bloqueado, R$ 20 milhões estariam destinados às mulheres, e R$ 30 milhões iriam para danos morais e coletivos. A medida cautelar foi assinada pela juíza Marli de Fátima Naves e determina que sejam bloqueados os veículos e imóveis não apenas do médium mas também da Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia.

João de Deus conseguiu pelo menos uma vitória na Justiça. O TJGO concedeu habeas corpus liminar ao acusado pela prática do crime de posse ilegal de cinco armas de fogo encontradas em seus imóveis durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão no dia 18 de dezembro, mas ele vai continuar preso, pelo menos por enquanto.

A decisão diz respeito apenas à ação pela posse ilegal das armas e munição, portanto, não tem relação com as centenas de denúncias por abuso sexual que pesam contra ele.

“Assim, ao que me parece, a decisão que decretou a prisão preventiva nos autos em que se apura a prática do pretenso delito de posse irregular de arma de fogo de uso permitido é genérica e, portanto, carece de fundamentação”, decidiu Wilson Safatle Faiad, juiz substituto do TJGO.

O magistrado ressaltou “questões humanitárias” e reforçou que o réu é idoso e está extremamente debilitado por motivo de várias doenças graves.

Ao fixar a fiança de R$ 1 milhão para que o médium responda, em casa, à acusação de posse ilegal de arma e munição, o juiz citou os diversos imóveis, as sete fazendas, o laboratório farmacêutico e uma renda mensal de R$ 60 mil de João de Deus.

A defesa do líder espiritual se manifestou por meio de nota. “Continuaremos firmes no propósito de conseguir sua liberdade, para que ele possa se defender e, principalmente, cuidar de sua saúde, que requer cuidados médicos indispensáveis.”

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