Justiça condena ex-secretário de Silas Câmara por “rachadinha”

Funcionário do deputado era responsável por recolher parte ou a integralidade dos salários dos servidores do gabinete

Divulgação/Câmara dos DeputadosDivulgação/Câmara dos Deputados

atualizado 28/10/2019 15:54

A Justiça Federal do Distrito Federal condenou o ex-secretário parlamentar do deputado Silas Câmara (Republicanos-AM) Raimundo da Silva Gomes pelo crime de peculato. O delito, também conhecido como “rachadinha”, é fundamentado na devolução de parte dos salários dos funcionários do gabinete ao parlamentar.

A decisão é do juiz Rodrigo Bentemuller, da 15ª Vara. A denúncia foi feita pelo Ministério Público Federal.

Por possuir foro privilegiado, Silas Câmara responde ao processo no Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com as investigações, foi comprovado que o deputado contratou um número estimado de 18 pessoas para cargos em comissão na Câmara dos Deputados.

Segundo o MPF, entre janeiro de 2000 a dezembro de 2001, Silas Câmara exigia de seus funcionários parte ou totalidade de seus salários. Alguns dos assessores nem sequer compareciam no escritório de representação do deputado no Amazonas.

Raimundo Gomes seria responsável por recolher o salário pago a todos os funcionários. O valor então era repassado diretamente a Silas, registra a denúncia. Além disso, Raimundo Gomes ainda pagava as despesas do gabinete ou pessoais do deputado, como gastos com cartão de crédito, por exemplo, prosseguem os promotores.

O ex-secretário recebeu uma pena de quatro anos e cinco meses de reclusão em regime semiaberto, além da obrigação de pagar multas, custas e despesas processuais.

A defesa de Raimundo Gomes alegou cumprir ordem superiores. A este argumento, o MPF disse que “a relação de subordinação hierárquica não justifica o cometimento de delito, uma vez que ao servidor cabe negar o cumprimento de ordem superior ilegal”.

Metrópoles tenta contato com o deputado Silas Câmara.

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