Lava Jato denuncia Gim Argello por corrupção e lavagem de dinheiro

Ex-senador é acusado de receber propina para obstruir CPI na forma de doação destinada a três partidos no DF: PEN, PSL e PT do B

Foto: Rafaela Felicciano/MetrópolesFoto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 26/07/2018 5:26

Uma nova denúncia foi apresentada contra o ex-senador Gim Argello nesta quarta-feira (25/7) pela força-tarefa da Operação Lava Jato. Desta vez, o político é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. As informações foram divulgadas pelo Ministério Público Federal (MPF) no Paraná.

A acusação afirma que o ex-parlamentar atuou para obstruir os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) instauradas no Senado e na Câmara dos Deputados em 2014.

De acordo com o MPF, as CPIs foram criadas para apurar fatos ilícitos cometidos contra a Petrobras. Segundo os investigadores, houve acerto de pagamento de propina para evitar a convocação de empreiteiros para prestarem depoimento.

A nova denúncia refere-se à suposta propina paga pela empresa Galvão Engenharia. Conforme diligência da Lava Jato, entre junho e dezembro de 2014, Gim Argello solicitou e aceitou promessa de vantagem indevida no valor de R$ 5 milhões da empresa Galvão Engenharia, recebendo efetivamente parte desse montante (R$ 1,6 milhão) por intermédio dos seguintes partidos: Social Liberal (PSL), Trabalhista do Brasil (PT do B) e Ecológico Nacional (PEN).

De acordo com a acusação, o valor foi travestido de doação oficial com a posterior emissão de cinco recibos eleitorais e registros junto à Justiça Eleitoral, tudo para dar aparência lícita à propina e reinserir os valores na economia formal.

Confira a íntegra da decisão:

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O pagamento da propina ocorreu em julho de 2014, sendo depositado R$ 150 mil para o PSL, R$ 150 mil para o PT do B e R$ 500 mil para o PEN. Em agosto do mesmo ano, foram pagos o montante de R$ 550 mil para o PEN e R$ 250 mil para o PT do B, completando o valor integral de vantagem indevida. Os partidos registraram formalmente apoio a Gim Argello na eleição para o Senado em 2014.

Dos três partidos, o PEN foi o que conseguiu ir mais longe nas eleições de 2014, elegendo a distrital Luzia de Paula (hoje no PSB), sob o comando de Alírio Neto. Atualmente no PTB, ex-sigla de Gim, o policial civil se aliou à ex-distrital Eliana Pedrosa e será vice na chapa majoritária encabeçada por ela.

O PSL não conseguiu eleger candidatos em 2014, mas ressurge este ano embalado pelo desempenho nacional de Jair Bolsonaro na corrida ao Palácio do Planalto. O PT do B, por sua vez, mudou de nome. Agora, se chama Avante.

Em 2014, PEN e PT do B integraram a coligação de apoio ao então governador Agnelo Queiroz (PT), que tentava a reeleição. Como o petista não avançou ao segundo turno, as siglas migraram para a coligação encabeçada pelo ex-secretário de Saúde Jofran Frejat (PR). A eleição, entretanto, foi vencida por Rodrigo Rollemberg (PSB).

Desde que as denúncias vieram à tona, as legendas afirmam desconhecer a origem ilícita das doações.

Prisão
O ex-senador, preso desde abril de 2016, durante desdobramentos da Operação Lava Jato, foi condenado, inicialmente, a 19 anos de prisão por Moro pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Contudo, em novembro de 2017, o ex-parlamentar do DF teve a punição reduzida para 11 anos e 8 meses de reclusão.

Neste caso, Gim Argello foi denunciado pelo acerto de pagamento de vantagem indevida envolvendo as empreiteiras UTC Engenharia, OAS, Toyo Setal, Camargo Corrêa e Engevix. O advogado do ex-senador, Marcelo Bessa, informou que não irá se pronunciar, em virtude de ainda não ter tido acesso à denúncia do MPF.

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