“Eu sou a vítima”, diz Flavio Bolsonaro sobre caso Queiroz

Pressionado, senador rebate acusações de que estaria agindo para frear investigação sobre corrupção, mas segue apanhando nas redes sociais

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atualizado 02/10/2019 11:09

A decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de suspender investigações envolvendo um suposto esquema de repasses de salários de servidores no gabinete do então deputado estadual Flavio Bolsonaro (PSL-RJ), pode ter sido um alívio jurídico para o filho do presidente, mas aumentou em vários graus a pressão política em cima dele.

Muito pressionado nas redes sociais por ter sido beneficiado pela decisão de Gilmar — que reforçou outra liminar, do presidente do STF, Dias Toffoli, de julho — o hoje senador pelo Rio gravou um longo vídeo (7 minutos e 39 segundos) para se explicar.

Na gravação, o filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro (PSL) repete o argumento de que não teme investigações, mas exige que elas sigam as regras legais.

“Todo inocente que é agredido de forma injusta tem que se defender. É o que estou fazendo”, diz ele, sobre as ações da defesa para travar a investigação do Ministério Público do Rio sobre a suspeita de que o ex-chefe de gabinete, Fabrício Queiroz, liderava um esquema de “rachadinha” dos salários dos servidores comissionados. “Vou me defender até as últimas consequências, lançar mão daquilo que está na lei pra mostrar que sou inocente”, disse Flavio.

O senador focou a defesa nos pontos mais explorados nas redes, como a acusação de que estaria fazendo de tudo para não ser investigado. “Estou sendo investigado há quase dois anos e não descobriram nada. Não estou pedindo privilégio, mas que se cumpra a Constituição para me investigar”, afirmou. “Eu sou a vítima nesse processo todo. Vou provar que não tenho nada a temer. Nunca fui para o lado errado, nem irei”, complementou.

Flavio também rebateu as acusações de que tem se reunido com autoridades, incluindo o próprio Gilmar Mendes, para tratar do processo. “Eu converso com qualquer autoridade, inclusive juízes e ministros, para defender os interesses do meu estado”. O senador também disse que as recentes e frequentes visitas do advogado, Frederick Wassef, ao pai não tem nada a ver com ele. “É outra mentira. O advogado representa o meu pai em um caso aberto relacionado à facada”, justificou.

Já no fim do vídeo, Flavio disparou: “Não vou ser estuprado por algumas pessoas que acham que estão acima da lei sem fazer nada. A Constituição serve para evitar excessos, abusos”. Ele pede que os seguidores espalhem o vídeo com essa versão. Nas respostas, porém, a pressão continua.

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