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Justiça

Delatores da Andrade Gutierrez afirmam que a empreiteira fez doações irregulares à campanha de Dilma

O pagamento teria sido feito por meio de um falso contrato de prestação de serviços com uma agência de comunicação

01/03/2016 14:28, atualizado 02/03/2016 08:39
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Michael Melo/Metrópoles
Delatores da Andrade Gutierrez afirmam que a empreiteira fez doações irregulares à campanha de Dilma

Em delação premiada, executivos da Andrade Gutierrez afirmaram ter pago despesas com fornecedores da campanha à presidência de Dilma Rousseff, em 2010. O pagamento, que teria sido ilícito, foi feito por meio de um contrato falso de prestação de serviços. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

Segundo a publicação, o pagamento teria sido feito por meio de um contrato entre a Andrade Gutierrez, segunda maior empreiteira do país, e a agência de comunicação Pepper, que trabalhou para Dilma em 2010. É a primeira citação direta de irregularidade em uma campanha da presidente relacionada à Operação Lava Jato.

Os delatores afirmaram que o pagamento, que na época superava os R$ 5 milhões, teria sido feito após pedido direto de um dos coordenadores da campanha. De acordo com a Folha de S. Paulo, oficialmente, a Andrade Gutierrez fez três doações à chapa de Dilma, entre agosto e outubro, no valor de 5,1 milhões. Já a campanha da presidente teria gasto R$ 6,4 milhões com a agência Pepper – investigada na Operação Acrônimo, que tem como um dos alvos o governador de Minas, Fernando Pimentel (PT).

A prática configura caixa dois, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas, em caso de comprovação de crime, não haverá implicações diretas como perda de mandato. As denúncias são referentes à campanha de 2010, cujo governo teve fim em 2014. No entanto, ainda cabem ações criminais sobre o caso.

Odebrecht
A delação dos executivos da Andrade Gutierrez motivou a Odebrecht, a maior empreiteira do Brasil, a iniciar discussões internas sobre a possibilidade de seus executivos também colaborarem. O ex-presidente da empresa Marcelo Odebrecht, preso desde junho do ano passado, ficou incomodado com o fato de Otávio Azevedo ter iniciado processo de delação mesmo depois de ter relutado a entregar o esquema de corrupção na Petrobras. As duas empreiteiras sempre foram parceiras em obras.

Segundo fontes, a empreiteira também tem sido pressionada por bancos que já exigiram o afastamento de Marcelo da presidência da empresa no passado, pois estão preocupados com o efeito da Lava Jato sobre as finanças do grupo.

Até agora, ao menos dois ex-executivos da Odebrecht teriam se convencido a fazer delação e a empresa pensa num acordo de leniência, mas as discussões foram apenas em âmbito interno. Marcelo Odebrecht teria dado seu aval, mas ele próprio ainda resiste a colaborar. As defesa dos ex-executivos da Odebrecht – entre eles Rogério Araújo e Márcio Faria – negam que eles estejam negociando acordo de delação premiada.

O advogado Juliano Breda, constituído pela Andrade, disse que “a posição da empresa é não comentar especulações”.

A Pepper informou que não falaria sobre uma investigação em curso. O coordenador financeiro da campanha presidencial de 2010, José de Filippi Jr., informou, em nota, que os serviços da Pepper à campanha da petista em 2010 “foram regularmente contabilizados e aprovadas pelo TSE”. Com informações da Agência Estado.