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Justiça

Contra "exploração eleitoral", Moro adia interrogatório de Lula

Audiências do processo do sítio de Atibaia estavam marcadas para 27 de agosto e 11 de setembro e ficaram agendadas para 5 e 14 de novembro

Repórter de Justiça15/08/2018 13:43, atualizado 15/08/2018 17:16
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DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO CONTEÚDO
Contra “exploração eleitoral”, Moro adia interrogatório de Lula

O juiz federal Sérgio Moro decidiu nesta quarta-feira (15/8) mudar a data do interrogatório do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de outros 12 réus na ação do sítio de Atibaia. O magistrado da Operação Lava Jato afirmou que a alteração das audiências tem por objetivo “evitar a exploração eleitoral dos interrogatórios”.

As audiências estavam marcadas para datas entre 27 de agosto e 11 de setembro. Os interrogatórios agora devem ocorrer entre 5 e 14 de novembro.

Em seu despacho, Moro não cita o ex-presidente nominalmente, mas a ele se refere. “Um dos acusados foi condenado por corrupção e lavagem na Ação Penal nº 5046512-94.2016.4.04.7000 e encontra-se preso por ordem do Egrégio Tribunal Regional Federal da 4ª Região, tendo a medida sido mantida pelos Tribunais Superiores”, anotou o magistrado, em alusão ao processo do triplex do Guarujá, que levou à condenação do petista a uma pena de 12 anos e 1 mês de reclusão.

“Apesar disso, o acusado apresenta-se como candidato à Presidência da República. Caberá ao Egrégio Tribunal Superior Eleitoral decidir a respeito.”

O magistrado prosseguiu. “A fim de evitar a exploração eleitoral dos interrogatórios, seja qual for a perspectiva, reputo oportuno redesignar as audiências.”

O PT vai protocolar nesta quarta-feira (15), no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o registro da sexta candidatura de Lula à Presidência com uma grande manifestação popular em Brasília, ao mesmo tempo em que já prepara a substituição do ex-presidente.

A estratégia de manter a candidatura de Lula – sentenciado em segunda instância por corrupção e lavagem de dinheiro na ação do triplex do Guarujá – já foi criticada por ministros do TSE e do Supremo Tribunal Federal, aos quais caberia o julgamento de eventuais recursos. A presidente do STF, Cármen Lúcia, afirmou nessa segunda-feira (13) que a Lei da Ficha Limpa é uma conquista da sociedade.

Outro lado
Em nota, a defesa de Lula, por meio do advogado Cristiano Zanin, se manifestou sobre a decisão de Moro. “Um processo criminal jamais poderia ter seus atos orientados pelo calendário eleitoral. A mudança das datas dos depoimentos, porém, mostra que a questão eleitoral sempre esteve e está presente nas ações contra o ex-presidente Lula que tramitam em Curitiba”, pontuou.