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Apuração pelo Brasil

Justiça

Conep pede que PGR apure estudo da proxalutamida que teve 200 mortes

Medicamento foi citado repetidamente pelo presidente Jair Bolsonaro como possível tratamento da Covid-19

20/09/2021 16:48, atualizado 20/09/2021 17:06

A Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) pediu à Procuradoria-Geral da República (PGR) para que se investigue as 200 mortes ocorridas em meio a um estudo sobre a proxalutamida, medicamento batizado de “nova cloroquina”, no estado do Amazonas. A informação foi divulgada pelo Congresso em Foco e confirmada pelo Metrópoles.

O caso chegou em sigilo na Procuradoria da República no Distrito Federal nesta segunda-feira (20/9), mas ainda não houve despacho.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem promovido a proxalutamida como possível tratamento contra a Covid-19, doença do novo coronavírus, apesar de não haver comprovação científica para isso, tampouco recomendação de autoridades sanitárias.

A Conep evidenciou, no parecer enviado à PGR, uma série de irregularidades no estudo feito pelo endocrinologista Flávio Cadegiani sobre a proxalutamida. A comissão aponta o risco de voluntários terem morrido desnecessariamente devido ao estudo. A pesquisa foi iniciada em fevereiro deste ano.

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“Inicialmente, o pesquisador reportou a ocorrência de 170 óbitos, em sua maior parte no grupo controle. Posteriormente, em uma segunda versão, reportou-se como dado correto a ocorrência de 178 óbitos. Ocorre que, em uma terceira versão, reportou-se que houve, na verdade, a ocorrência de 200 EAG [evento adverso grave], com desfecho morte (óbito) ocorridos durante a condução do estudo”, diz.

Além disso, segundo a Conep, o pesquisador não apresentou análise crítica que permita compreender a causa mortis direta e quais foram os critérios adotados para classificá-las como “definitivamente não relacionadas à droga de intervenção”.

Em nota, Cadegiani garante que não houve absolutamente nenhuma irregularidade no estudo e alega que as mortes registradas ao longo do estudo ocorreram devido à Covid-19, e não ao medicamento.

“A mortalidade global no âmbito do estudo foi muito inferior à mortalidade intrahospitalar que ocorreu fora do estudo no estado durante o período, o que trata-se muito provavelmente do reflexo da eficácia da proxalutamida. Tanto que, ao final do estudo, verificou-se que a medicação salvou mais de 100 vidas, com 77,7% de redução dos óbitos”, afirma ele.

Leia a íntegra da nota:

Pgr_nota de Esclarecimento by Tacio Lorran Silva on Scribd