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Justiça

Cármen Lúcia: "Judiciário tem sido muito mais cobrado pelo que acerta"

Presidente do STF ressaltou que o Brasil possui 80 milhões de processos em tramitação e é natural existir divergências nas decisões

27/07/2018 15:29, atualizado 27/07/2018 17:22
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Igo Estrela/Especial para Metrópoles
Cármen Lúcia: “Judiciário tem sido muito mais cobrado pelo que acerta”

A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, defendeu nesta sexta-feira (27/7) a atuação do Judiciário e declarou que, apesar de o poder ser aberto a críticas e divergências, não pode ter suas decisões desafiadas “jamais”. Segundo a magistrada, que ocupa no momento a Presidência da República em função de viagem de Michel Temer ao exterior, “o Poder Judiciário tem sido muito mais cobrado pelo que ele acerta”.

Conforme ressaltou Cármen Lúcia, o Brasil possui 80 milhões de processos em tramitação e, portanto, é natural que haja divergências em relação às decisões. No entanto, a magistrada criticou quem defende que as decisões tomadas não sejam cumpridas.

“O Judiciário pode ser criticado, mas desafiar a Justiça, jamais. Se não cumprir ou acatar decisão judicial, não vejo a possibilidade de se cogitar um Estado democrático de direito”, afirmou. “Não há democracia quando as pessoas resolvem se vingar”, assinalou a ministra.

A magistrada falou durante 50 minutos em palestra a empresários na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ). Durante sua explanação, Cármen Lúcia afirmou que os “tempos difíceis” pelos quais o país está passando só serão superados com o empenho de cada um e com segurança jurídica.

“Estamos vivenciando tempos mais amargos”, disse a ministra. “Para onde pouso meu olhar, vejo manifestações que parecem raiva. Nunca tinha visto isso antes dessa forma”, pontuou.

Na avaliação de Cármen Lúcia, o momento pelo qual passa o Brasil está fazendo com que muitos cheguem ao “desalento”, o que atrapalha a retomada e inclusive novos investimentos. “Temos uma insegurança no país, que gera desconfiança, frustrações, falta de perspectiva, que chega ao desalento e faz com que não haja a vontade de mudar”, declarou. “Insegurança econômica, política, fala-se em insegurança jurídica, que chega aos empresários, que afeta nossa imagem no exterior”, concluiu a ministra.