O juiz Bruno Salvino, da 3ª Vara Federal Criminal de Juiz de Fora (MG), acatou, nesta segunda-feira (10/12), pedido dos advogados do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), para incluí-lo como assistente de acusação no caso da facada de que foi vítima. Com a decisão, Bolsonaro passa a ter acesso aos autos referentes ao processo que tem como acusado Adélio Bispo de Oliveira, podendo participar da audiência de instrução, propor a produção de provas e analisar documentos como os das quebras de sigilos bancário e telefônico

O pedido para fazer parte da acusação teve o aval do Ministério Público Federal (MPF) e, se quiser, o presidente eleito poderá até questionar testemunhas do caso. Esta situação pode colocá-lo de frente com alguns desafetos ilustres e com os quais se envolveu em grandes polêmicas. Isso porque os advogados de Adélio já definiram suas testemunhas, oito no total, e entre elas estão o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a deputada federal Maria do Rosário (PT), o deputado federal Jean Wyllys (Psol) e a cantora Preta Gil.

A estratégia da defesa seria mostrar Bolsonaro como um dos causadores do ataque, ao se envolver em confrontos políticos ideológicos e recheados de frases e posições polêmicas. Situações vistas em discussões como as que travou com Preta Gil pela televisão e com Jean Wyllys no Congresso Nacional.

Bolsonaro, porém, se quiser, não precisa acompanhar o processo diretamente, mas apenas através de advogado. A defesa de Adélio garante que ele [Bolsonaro] já vem fazendo isso desde o início do caso. “Na verdade, isso não é novidade não, porque eles [advogados] estão lá todo dia”, afirma Zanone Manuel de Oliveira Júnior, advogado de Adélio sobre a decisão que põe o presidente como assistente de acusação.

“Desde o primeiro dia um escritório de advocacia apareceu lá na audiência de custódia”, completa o advogado. Mas ele não acha que Bolsonaro vá aparecer nas audiências. “Eu acredito que, como presidente, não vai participar de nada”, prevê.

Avaliação de sanidade mental
A decisão da Justiça Federal foi assinada no dia 31 de outubro, sendo expedida na última sexta-feira, 7. Mas o processo envolvendo o ataque ao então candidato a presidente pelo PSL foi suspenso no dia 24 de outubro para que Adélio Bispo de Oliveira passasse por avaliação de sanidade mental. Na última terça-feira, 4, ele foi avaliado no presídio federal de Campo Grande (MS) por dois psiquiatras de Juiz de Fora (MG) indicados pela Justiça.

O laudo com os resultados deve ser divulgado até esta sexta-feira (14), e definirá o futuro do agressor, que tem a possibilidade de ser mandado para um hospital, caso seja considerado totalmente incapaz. A defesa, no entanto, não arrisca palpite. “Isso é só com o médico mesmo”, desconversou Zanone Manuel Júnior.