Barroso contraria PGR e autoriza buscas no gabinete de Bezerra Coelho

De acordo com o órgão, não existem provas de que o senador tenha cometido os atos apontados nas acusações

Daniel Ferreira/MetrópolesDaniel Ferreira/Metrópoles

atualizado 19/09/2019 13:30

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso autorizou buscas no gabinete do líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), e do deputado Fernando Coelho Filho (DEM-PE), filho do emedebista, contrariando posicionamento da Procuradoria-Geral da República (PGR). A decisão é do dia 9 de setembro, mas a operação só foi cumprida nesta quinta-feira (19/09/2019).

“Reputo que, em relação à maioria das pessoas alegadamente envolvidas, está demonstrada a razoabilidade e a necessidade de realização de buscas e apreensões, diante dos fundados indícios mencionados”, diz trecho do despacho de Barroso.

Já para a ex-procuradora-geral Raquel Dodge, que emitiu parecer à época do mandado, foi contra a investigação que atinge o político pernambucano. Para Dodge, não há indícios de que p senador tenha cometido os atos apontados. “Adotou todas as medidas para manter-se longe deles, de modo que a medida invasiva terá pouca utilidade prática”, escreveu.

Confira a íntegra da decisão:

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Acusações
A Polícia Federal (PF) apontou a existência de elementos que indicariam o recebimento, ao menos entre 2012 e 2014, de vantagens indevidas pelos alvos. Os valores seriam pagos por empreiteiras em razão das funções públicas exercidas pelos políticos.

A PF investiga desvio de dinheiro público em obras na Região Nordeste, quando Bezerra era ministro da Integração Nacional do governo de Dilma Rousseff (PT).

A diligência, instaurada em 2017, teve início a partir de colaborações firmadas com investigados presos no âmbito da Operação Turbulência, deflagrada em junho de 2016. A ação apurava, por sua vez, o uso de empresas de fachada, controladas pelos colaboradores, na lavagem de dinheiro de empreiteiras e no pagamento de propinas a políticos.

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