ANJ e ANER protestam contra “censura” imposta pelo STF à Crusoé

Associações de jornais e revistas ressaltam que medida tomada pelo ministro Alexandre de Moraes é "incompatível com os valores democráticos"

Daniel Ferreira/MetrópolesDaniel Ferreira/Metrópoles

atualizado 15/04/2019 21:14

A Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) divulgaram, nesta segunda-feira (15/04/19), nota conjunta em que protestam contra a determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes para que a revista Crusoé retire do ar a reportagem de capa da intitulada “O amigo do amigo de meu pai”. Para ambas as associações, a medida configura-se em censura, algo “inconstitucional e incompatível com os valores democráticos”.

A decisão do ministro passou a valer nesta segunda. A reportagem trata de um suposto codinome dado ao presidente do STF, Dias Toffoli, na lista do “departamento de propinas” da Odebrecht. Segundo a Crusoé, o ministro seria o “amigo do amigo do meu pai”.

O codinome “Amigo do meu pai” já tinha sido revelado anteriormente pela Lava Jato e seria o ex-presidente da República Lula da Silva (PT), atualmente preso em Curitiba, condenado pela Lava Jato pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. “Meu pai” identificaria Emílio Odebrecht, pai de Marcelo.

Pela decisão do ministro Moraes, a Polícia Federal vai intimar os responsáveis pela publicação da reportagem “para que prestem depoimentos no prazo de 72 horas”, informou o site O Antagonista, de quem a revista é parceira.

Claro abuso
Para Alexandre de Moraes há “claro abuso no conteúdo da matéria veiculada”. A revista, em sua defesa, reforçou que a reportagem de que trata a decisão do ministro foi publicada com base em um documento que consta dos autos da Operação Lava Jato.

Confira a nota da ANER/ANJ:

 

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