Justiça barra pedidos de Oruam em ação por lavagem de dinheiro para o CV
Oruam é réu na Justiça do Rio em ação penal que apura esquema de lavagem de dinheiro para o Comando Vermelho (CV)

O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) rejeitou uma série de pedidos apresentados pela defesa do rapper Mauro Nepomuceno, conhecido como Oruam, e determinou o andamento da ação penal em que ele é réu ao lado do pai, o traficante Márcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP e de outros nove investigados por lavagem de dinheiro para o Comando Vermelho (CV).
A informação consta em decisão à qual o Metrópoles teve acesso.
A ação penal, que tramita em segredo de Justiça, apura um esquema estruturado de lavagem de dinheiro e organização criminosa para ocultar recursos oriundos do tráfico de drogas do CV em comunidades cariocas.
Segundo denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), Oruam usaria a carreira artística para dissimular valores do crime e custear despesas pessoais.
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Ver todasO que pedia a defesa do Oruam?
- A defesa havia protocolado uma petição para pedir a realização prévia de perícia técnica nos dados telemáticos e na cadeia de custódia das provas — conjunto de procedimentos usados para preservar e documentar o histórico de um vestígio desde a coleta;
- Os advogados também solicitaram que o Google fosse oficiado para fornecer os dados brutos do e-mail de um dos réus;
- Solicitou que a Polícia Judiciária fosse proibida de se manifestar nos autos sem convocação da Justiça ou do Ministério Público (MP).;
- Ao analisar os pedidos, a Justiça indeferiu todos eles. Segundo a Corte, o processo penal deve seguir as etapas previstas e a antecipação de discussões sobre a validade das provas, antes do momento processual adequado, poderia causar tumulto no andamento da ação.
Em relação aos pedidos de perícia e de obtenção de dados junto ao Google, o juízo afirmou que a defesa não apresentou nenhum elemento concreto que apontasse possíveis irregularidades nas mídias ou nas provas.
Já o pedido para impedir manifestações da Polícia Judiciária foi rejeitado porque, segundo o juízo, prestar esclarecimentos técnicos sobre as investigações está entre as atribuições legais da corporação.
Ao Metrópoles, o advogado do Oruam, Thiago Lemos, alegou que a decisão do TJRJ é equivocada, alegando que a prova que concretizou a ação penal é ilícita.
“Por assim ser, não pode se quer ser conhecida pelo Juízo, por ordem do que preceitua o artigo 5º, inciso LVI, da Constituição Federal, menos ainda valorada, como pretende o Juízo. A defesa afirma ainda que já fora realizada perícia comprovando a ilicitude da prova, que será apresentada ao Juízo em breve”, disse Lemos.
Denúncia
Em 30 de janeiro de 2026, o MPRJ ofereceu denúncia contra Oruam, Marcinho VP e outras nove pessoas por organização criminosa e lavagem de dinheiro. Dois meses depois, a Justiça do Rio recebeu a denúncia e tornou réus todos os onze denunciados.
A denúncia foi apresentada pela 3ª Promotoria de Investigação Penal Especializada e aponta a existência de um esquema estruturado para “branqueamento” de recursos do tráfico de drogas em comunidades cariocas.
Segundo o MP, mesmo encarcerado há mais de 20 anos, Marcinho VP mantém influência direta sobre o Comando Vermelho, coordenando decisões estratégicas e a movimentação financeira da facção.
A investigação sustenta que o grupo operava de forma organizada, com divisão de tarefas e atuação contínua.
De acordo com a denúncia, a gestão financeira do esquema ficaria a cargo de Márcia Nepomuceno, responsável por receber valores em espécie de traficantes e ocultar o patrimônio por meio de empresas, imóveis e fazendas.
Entre os nomes citados como fornecedores de recursos estão Edgar Alves de Andrade, o Doca, Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha, e Luciano Martiniano, o Pezão.
A denúncia divide o grupo em quatro núcleos:
- Liderança encarcerada: Marcinho VP, responsável pelas decisões estratégicas;
- Núcleo familiar: Márcia, Oruam e Lucas Nepomuceno, que fariam a gestão dos recursos;
- Suporte operacional: integrantes usados como “testas de ferro” para ocultação de bens;
- Liderança operacional: traficantes responsáveis pela atuação nas comunidades e repasse de valores;













