Justiça determina exclusão de post que chama padre Robson de “taradão”

Defesa de padre Robson afirma que vai processar, por calúnia e difamação, autor de comentários publicados em 2019, além de pedir indenização

atualizado 03/08/2021 8:28

Padre Robson e a Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe)Reprodução/Instagram

Goiânia – O padre Robson de Oliveira, de 47 anos, figura pop da Igreja Católica e que tem investigação suspensa contra ele por desvio de dinheiro de fiéis em Goiás, obteve sentença para obrigar o Facebook a excluir comentários que o chamam de “taradão” e o acusam de praticar crimes. A defesa dele avalia ingressar com novas ações na Justiça por calúnia e difamação, além de pedir indenização.

O Metrópoles teve acesso à decisão do juiz Everton Pereira Santos, da 10ª Vara Cível da comarca de Goiânia, em processo em segredo de Justiça. Na ação, o pároco alegou que a publicação dos comentários, realizada em janeiro de 2019, “causou-lhe inegáveis constrangimentos, bem como denegriu sua imagem”.

De acordo com a sentença, de junho, o padre disse que um internauta, usuário do perfil “marcosgoiano2018”, o atacou “de forma totalmente ofensiva, acusando-o de ato desonroso e criminoso em três comentários idênticos”.

“Caso antigo já”

Segundo o processo judicial, o comentário, repetido três vezes, diz o seguinte: “Esse padre é taradão. Ele tem um caso com a Talita Di Martino, esposa do Tayrone, caso antigo já. Esse padre pagou a polícia para prender uma família inteira que descobriu o caso e queria soltar na mídia”.

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Publicadas em comentários de post de uma reportagem de um portal de notícias, as declarações  citam que o religioso “abafou o caso” com apoio da Polícia Civil de Goiás, de um delegado e de uma juíza. O foco da matéria era informar que ele havia reassumido, naquele ano, a reitoria do Santuário Basílica de Trindade.

As imagens das publicações foram apresentadas à Justiça, em documento da defesa assinado no dia 14 de janeiro de 2019. Um ano e meio depois, o Ministério Público de Goiás (MPGO) deflagrou a operação que vinculou o padre a crimes como apropriação indébita, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Na decisão mais recente deste caso, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspendeu a investigação.

Robson ainda afirmou que a publicação dos comentários “atinge a índole e a fé professada” por ele. Além disso, pediu à Justiça que o Facebook fosse obrigado a prestar todas as informações técnicas de acesso e localização para identificar o autor, como a porta lógica de origem, capaz de identificar e individualizar o usuário na internet, o código identificador do dispositivo, localização geográfica e telefone.

O Facebook excluiu as publicações e informou dados específicos que identificam o autor das mensagens, conforme solicitado pela defesa.

Casal Di Martino

Citado no comentário excluído das redes sociais, Tayrone Di Martino é ex-secretário do Governo de Goiás e ex-vereador de Goiânia. Ele também foi apontado, em reportagem do Fantástico, em fevereiro deste ano, como o responsável por escrever uma biografia do padre Robson e pedir R$ 350 mil para a Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), que era presidida pelo religioso, para ceder os direitos do livro.

A obra, conforme contou Tayrone ao Metrópoles em fevereiro, foi resultado do trabalho de conclusão de uma pós-graduação em Jornalismo Literário e se chama: “Padre Robson de Oliveira: um sacerdote que carrega o amor do Divino Pai Eterno”.

Em um dos áudios mostrados na reportagem, no entanto, o padre aparece dizendo para a esposa de Tayrone, Talitta Di Martino, que o valor cobrado seria uma extorsão. “Você acha que eu ia dar R$350 mil para ele por um servicinho daquele de biografia da minha vida? Aquilo foi extorsão, Talitta”, diz o padre no áudio. Ela era conhecida por cantar nas missas do santuário.

De acordo com a reportagem, a investigação do Ministério Público de Goiás (MPGO) e da Polícia Civil de Goiás (PCGO) afirma que o padre e Talitta teriam um relacionamento amoroso e que a cobrança do valor por parte de Tayrone seria uma forma de chantagem.

Outro lado

A Polícia Civil de Goiás informou que não vai se manifestar. O Metrópoles não obteve retorno da Associação dos Magistrados do Estado de Goiás (Asmego) sobre suposto envolvimento de uma magistrada. O portal também ligou e enviou mensagem por WhatsApp para Tayrone, para que ele se manifestasse com sua esposa, mas não obteve êxito até o fechamento deste texto. O espaço segue aberto para manifestação.

O advogado Rafael Maciel, que assinou a petição, disse ao portal que vai analisar o caso para ingressar com novas ações  judiciais contra o autor por calúnia e difamação, no âmbito criminal, e pedir indenização por danos morais, na esfera cível. “O objetivo do processo foi atingido”, afirmou ele, que conseguiu os dados do autor das mensagens.

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