Justiça declara abusiva paralisação do transporte coletivo em Goiânia
Juiz estabeleceu multa diária de R$ 10 mil por descumprimento; motoristas reivindicam vacinação contra Covid-19 e reajuste da data-base
atualizado
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Goiânia – A Justiça do Trabalho em Goiás declarou abusiva a greve do transporte coletivo iniciada na madrugada desta terça-feira (11/5) na capital goiana. Com o objetivo de frear o movimento, o desembargador Mário Sérgio Botazzo acolheu pedido de liminar feito pelo Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros de Goiânia (SET) e estabeleceu multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento.
“Assim, em juízo perfunctório, vejo provada a abusividade do exercício do direito de greve pelos trabalhadores do transporte coletivo, razão pela qual defiro a tutela de urgência requerida para determinar ao sindicato requerido que se abstenha de deflagrar a greve prevista para o dia 11/05/2021”, diz a decisão.
Durante a madrugada, motoristas se reuniram na garagem da Metrobus, em assembleia da categoria, para deflagração da greve. De acordo com o SET, a Polícia Militar de Goiás foi acionada para dar apoio e garantir a operação das concessionárias, bem como a segurança dos trabalhadores.
No entanto, segundo os profissionais, eles foram reprimidos pela PM. Os trabalhadores chegaram a informar que o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo de Goiânia e Região Metropolitana (Sindicoletivo), Sérgio Reis, havia sido preso.
No entanto, posteriormente, o setor jurídico do sindicato informou que essa prisão não ocorreu. O dirigente, na verdade, só teria sido impedido pelos policiais de participar da mobilização na porta da garagem da Metrobus.
Em um dos vídeos, os motoristas relatam que foram atacados pelos policiais com balas de borracha e spray de pimenta. Ainda nas imagens, os trabalhadores afirmam que tiveram salários cortados e parcelados.
“Esse é o estado que vivemos, onde o governador manda a polícia bater em trabalhador, e policiais que deveriam defender trabalhador estão defendendo bandidos […], que estão roubando o dinheiro público, sucateando a empresa que é estatal”, diz um homens.
A Metrobus é a estatal que opera o Eixo Anhanguera, a maior linha de carregamento do transporte coletivo da capital e região metropolitana, com cerca de 200 mil passageiros diariamente.
O Metrópoles entrou em contato com a assessoria de imprensa da PM para saber a respeito da ação na manhã desta terça, mas até a publicação deste texto, não houve resposta. O espaço segue aberto.
Paralisação parcial
Por meio de nota, a Metrobus informou que no momento, a operação da empresa é de 20% da frota. “A empresa trabalha para que a operação seja normalizada o mais rápido possível”, diz. Ainda segundo a operadora do Eixo Anhnaguera, o movimento dos trabalhadores é no âmbito de negociações com o SET.
Já a RedeMob, responsável pela operação do transporte coletivo em toda a região metropolitana diz que os ônibus circulam normalmente nesta terça.
Reivindicações
Os motoristas também reivindicam a inclusão desses trabalhadores no grupo prioritário de vacinação contra Covid-19. Eles alegam que têm contato direto com a população, contaminada ou assintomática, e requerem testes regulares para a categoria. Ainda segundo eles, a taxa de mortalidade na categoria estaria próxima de 8%.
No mês passado, os motoristas do Eixo Anhanguera também fizeram uma paralisação justamente reinvindicando que a categoria fosse incluída entre as prioridades para vacinação.
Outro ponto levantado pelos trabalhadores é o reajuste da data-base, que, de acordo com os motoristas, não foi pago o retroativo no ano passado e, em 2021, a projeção ainda não foi realizada.
Já o SET, propôs aos trabalhadores a manutenção do que foi acordado no dissídio coletivo de 2020, com exceção do reajuste salarial.
As empresas pediram um prazo até o próximo mês de julho para análise do cenário. O vice-presidente do SET, Alessandro Moura, disse que não é possível garantir aumento salarial neste momento.














