Jurista citado por Fux ao divergir elogia julgamento no STF

Luigi Ferrajoli foi citado pelo ministro ao divergir dos colegas, mas o “pai do garantismo” elogiou o processo em entrevista ao Metrópoles

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Reprodução / YouTube
Luiz Fux - Bolsonaro
1 de 1 Luiz Fux - Bolsonaro - Foto: Reprodução / YouTube

Citado nesta quarta-feira (10/9) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux ao divergir da análise da denúncia de tentativa de golpe de Estado contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o jurista Luigi Ferrajoli elogiou na semana anterior o julgamento na Suprema Corte. Em entrevista ao Metrópoles, o italiano, considerado o “pai do garantismo”, classificou o processo como “um sinal de grande civilidade e de defesa do Estado de Direito contra a tentativa golpe”.

Durante seu voto, Fux usou Ferrajoli para pregar a tese garantista, visando diminuir a punição dos eventuais condenados. O magistrado afirmou que há cerceamento de defesa por meio de document dumping, apontando que uma quantidade exacerbada de documentos foi juntada ao processo de maneira a tornar impossível sua devida análise a tempo do julgamento. Também defendeu que o STF é incompetente para analisar o caso de Bolsonaro e defendeu a nulidade da ação.

Durante visita a Brasília para divulgar seu novo livro, Luigi Ferrajoli rasgou elogios ao julgamento. Destacou que o processo “significa a vitória do Direito sobre a força” e traçou um paralelo com os Estados Unidos, onde o ataque ao Capitólio passou impune. “É paradoxal que na democracia mais antiga do mundo se tolere essa tentativa de inversão. Isso confere um maior valor à reação do Brasil, que defende a legalidade, defende a democracia”, disse o jurista.

Ainda na entrevista, o italiano criticou a ideia de anistia aos condenados pela tentativa de Golpe. Ele considerou a iniciativa incompatível com a tese garantista, onde um perdão não teria espaço porque o teor punitivista já é mínimo. “Esta é uma avaliação política, eu penso que seja necessário sancionar como a lei determina, como uma reação para para a ilegitimidade desta tentativa de golpe”, afirmou.

Ele completou: “Na certeza do Direito devemos considerar a anistia e a graça tendencialmente inadmissível, infelizmente em tempos de punitivismo é difícil contrastar, não estou falando obviamente do processo do Bolsonaro. Num Direito Penal Garantista, um direito penal mínimo, as penas são baixas e servem como reação para algo realmente grave, sendo as outras coisas ilícitos administrativos, a anistia não deve existir. Deve se ter cuidado para que o Direito Penal não tenha um caráter de vingança e não reproduza a violência do crime. Isso significa que no ensinamento garantista não deve haver espaço para a anistia”.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?