Juiz eleitoral compara mulheres que disputam eleições a “aleijados”
Com metáforas em relação ao futebol, Amílcar Bezerra disse ainda que as candidatas entram em campo apenas para “completar o time”
atualizado
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O juiz Amílcar Bezerra, do Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA), comparou mulheres que disputam eleições a pessoas “aleijadas”, que entrariam em campo apenas para “completar o time”.
“Eu tenho 11 jogadores. Se eu puder escalar 11 craques, eu escalo 11 craques. Aí, se não tiver 11 craques, eu coloco um pé de pau? Boto um rapado? Mas não tem. Eu ponho um aleijado para jogar, mas eu não deixo em branco. Eu tenho que completar”, disse Bezerra.
Confira o vídeo completo:
A afirmação do magistrado foi feita durante um julgamento nessa terça-feira (28/05/2019). Era analisada denúncia de que uma coligação partidária teria fabricado candidaturas laranja, em 2016, no município de Santa Luzia do Pará, para cumprir a cota de 30% destinada a mulheres nos partidos, uma exigência da Justiça Eleitoral.
Com outra metáfora de futebol, Bezerra disse ainda que os partidos são obrigados a elencar mulheres para cargos. “Eu preciso de gente jogando a bola lá dentro. Por que eu haveria de colocar uma pessoa lá dentro que não tem perna nenhuma? É porque eu só tenho sete jogadores, e a lei me obriga a colocar 11, e só me sobrou o aleijado. Aí eu tenho que escalar o aleijado. O que eu posso fazer?”, perguntou.
“Talvez tenha sido um erro fazer uma ação afirmativa para as mulheres participarem da classe política, porque talvez isso não seja uma coisa boa. Talvez seja por isso que não esteja funcionando, mas isso é só uma consideração”, completou Bezerra.
O juiz ainda questionou: “Será que devemos fazer uma ação afirmativa para que as mulheres aumentem sua participação na limpeza pública, para que elas ocupem 30% das vagas de lixeiros e de catadores de lixo na rua?”.
Laranjas
Ainda em fevereiro, surgiram suspeitas de que esquemas de financiamento de candidaturas laranja tenham ocorrido durante as eleições de 2018 no partido do presidente Jair Bolsonaro (PSL). O primeiro integrante do governo citado no caso foi o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, que era dirigente do diretório da sigla em Minas Gerais.
Já o ex-ministro Gustavo Bebianno, exonerado após impasses com a família Bolsonaro, foi envolvido diretamente nas suspeitas de financiamento de candidaturas laranja, cerca de 10 dias após a primeira reportagem sobre o caso. Como presidente do PSL e coordenador da campanha de Bolsonaro, ele teria aprovado o repasse de R$ 250 mil para a candidatura de uma ex-assessora. As prestações de conta mostram que o dinheiro foi repassado a uma gráfica em endereço de fachada – onde não havia máquinas para impressões em grande escala.
Álvaro Antonio já negou por duas vezes que tenha havido caixa 2 em candidaturas do PSL na eleição de 2018.
