Jaques Wagner pede anulação de decisão de Mendonça sobre buscas
Líder do governo no Senado foi alvo da Compliance Zero na última quinta-feira

A defesa do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), apresentou, nesta segunda-feira (22/6) um recurso pedindo que o Supremo Tribunal Federal (STF) anule a decisão do ministro André Mendonça que autorizou os mandados de busca e apreensão contra ele na última quinta-feira (18/6).
Jaques foi um dos alvos da 9ª fase da operação Compliance Zero que investiga o caso Master. A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao parlamentar e aponta que o senador baiano atuou a favor dos interesses do banco de Daniel Vorcaro em troca de vantagens econômicas.
“A defesa sustenta que a medida está equivocada pelos seguintes motivos: o senador jamais atuou no Congresso Nacional para favorecer o Banco Master. Prova disso é que a única emenda de sua autoria sobre o tema, apresentada à Medida Provisória n. 1106/2022, propunha limitar juros e proteger os consumidores, justamente o contrário dos interesses do Banco”, diz a nota do senador.
A declaração se refere ao suposto apoio que Jaques teria dado, segundo a PF, à emenda apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) para aumentar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para R$ 1 milhão na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da autonomia do Banco Central.
A emenda, apelidada de “emenda Master”, acabaria rejeitada pelo relator da PEC, Plínio Valério (PSDB-AM), que disse, em nota, que Jaques Wagner em “nenhum momento sequer” tratou da emenda com ele.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA defesa do líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também aponta que o dinheiro apreendido, que soma cerca de US$ 55 mil e 33,5 mil euros, em endereços ligados a Jaques Wagner durante a operação tem origem lícita.
Como dito no dia da operação, o senador baiano sustenta que os recursos são provenientes de diárias recebidas do Senado Federal por viagens oficiais. No entanto, como mostrado pelo Metrópoles, o valor apreendido supera em cerca de R$ 143 mil o total de diárias recebidas pelo líder do governo neste mandato
Segundo o senador, “parte é proveniente de diárias publicamente declaradas pagas pelo Senado para missões no exterior, e outra parte foi adquirida por meio de operações oficiais junto à instituição financeira, com registro regular”.
“Não há nada a ocultar. O próprio Ministério Público Federal já havia considerado prematura a apreensão desses bens. A defesa confia que o Supremo Tribunal Federal corrigirá os equívocos e reafirma a tranquilidade do senador quanto à sua conduta”, diz a nota assinada pelo advogado Pablo Domingues.
O recurso se dá em meio à crescente pressão de diferentes alas do governo para que Jaques Wagner entregue a liderança. Apesar de ter negado qualquer irregularidade ou que deixaria o cargo, a permanência de Jaques Wagner acendeu um alerta dentro da campanha da reeleição de Lula, que tenta se afastar de qualquer ligação com as fraudes atreladas a Daniel Vorcaro.



