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Brasil

Itamaraty acompanha situação no Paraguai, mas vê crise como assunto do país

Liquidação do banco Ueno no Paraguai levou à renúncia do presidente Santiago Peña, que também é alvo de pedido de impeachment

05/11/2026 17:10
Rafaela Felicciano/Metrópoles
imagem colorida mostra palácio Itamaraty - Metrópoles

A crise política e econômica no Paraguai tem sido monitorada de perto pela diplomacia brasileira. Ao Metrópoles, interlocutores do Itamaraty afirmam que veem o caso como um assunto interno de Assunção, apesar de ainda acompanharem os desdobramentos da situação no país vizinho.

Até o momento, não está prevista nenhuma manifestação oficial sobre a crise paraguaia. A avaliação é de que os desdobramentos dos recentes acontecimentos devem ser observados com cautela antes de uma manifestação da pasta.

O Paraguai passa por um período de instabilidade após o fechamento do Ueno Bank, um dos principais bancos do país. A situação levou à renúncia do presidente do país, Santiago Peña, que foi acionista do banco durante seu mandato, assim como do presidente e de dois diretores do Banco Central do Paraguai.

Peña informou a renúncia na tarde desta quinta-feira (5/11), depois que um pedido de impeachment contra ele avançou no Congresso. A renúncia do mandatário, contudo, precisa ser aprovada e está em análise dos parlamentares. Da mesma forma, está o impeachment contra ele, que segue em andamento no Congresso.

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Santiago Penã integra a lista de presidentes de direita da América Latina e, ao longo do mandato, alinhou a política externa paraguaia à do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Apesar de compor campo político oposto ao do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os dois líderes mantêm uma boa relação e já se reuniram em mais de uma oportunidade.

Integrantes do Palácio do Planalto, no entanto, descartam uma possível manifestação do presidente Lula sobre a situação de Peña. Eventuais mensagens se restringirão à chancelaria brasileira.

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Banco Central do Paraguai
Carlos Carvallo reunciou à presidência do Banco Central do Paraguai
Santiago Peña, presidente do Paraguai
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Santiago Peña, presidente do Paraguai

Klebher Vasquez/Anadolu via Getty Images
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Banco Central do Paraguai

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Carlos Carvallo reunciou à presidência do Banco Central do Paraguai
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Carlos Carvallo reunciou à presidência do Banco Central do Paraguai

Reprodução/Banco Central del Paraguay

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Crise no Paraguai

O Banco Central do Paraguai (BCP) determinou a liquidação do banco Ueno na terça-feira (3/11), por considerá-lo insolvente — quando uma instituição não consegue honrar seus compromissos financeiros. O Ministério Público do Paraguai solicitou ainda uma investigação criminal sobre o banco e pediu pela prisão de dois dirigentes da instituição.

As apurações do MP envolvem suspeitas relacionadas à gestão e a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao grupo controlador, o que teria comprometido o patrimônio do banco. Nesta quinta, o órgão fiscalizador também acatou um pedido de investigação sobre supostos crimes financeiros cometidos por Peña.

O presidente, contudo, se antecipou ao avanço do seu pedido de impeachment e decidiu renunciar ao cargo, em um movimento que agora é analisado pelo congresso do país. A imprensa paraguaia, contudo, avalia que os parlamentares devem recusar a denúncia e seguir com o impeachment do presidente, para evitar que ele tenha foro privilegiado.

No Paraguai, ao decidir pela renúncia, o presidente passa a ter direito ao cargo de senador vitalício e mantém direitos legislativos.