
Isolado, Zema encerra campanha com 1% de intenções e vê aliados com Flávio
Ex-governador de Minas apostou em críticas ao STF por Caso Master e acabou brigado com o bolsonarismo

Romeu Zema (Novo) chega ao primeiro turno das eleições presidenciais deste domingo (4/10) isolado e vendo as principais figuras do partido abrirem voto para Flávio Bolsonaro (PL). O ex-governador de Minas Gerais teve uma campanha marcada por críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao bolsonarista.
O candidato vota em uma escola em Araxá, cidade natal e berço dos negócios da família. Foi pela gestão do Grupo Zema que Romeu, bisneto do fundador da varejista, alavancou sua carreira política. Sob o rótulo de outsider, bolsonarista e empresário que poderia reproduzir o sucesso da empresa no Estado, se elegeu governador em 2018 e em 2022.
A receita que o levou ao Executivo mineiro não seria repetida na disputa ao Palácio do Planalto. O Novo, que teve candidatos à Presidência nas últimas duas eleições, entendeu que Zema poderia se comunicar com uma massa maior do que seus antecessores, João Amoedo (2018), um banqueiro, e Felipe D’Avila (2022), um intelectual.

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Ver todasNo governo, fez oposição ferrenha ao governo Lula, sempre com um tom combativo e se posicionando como um adversário para 2026. No fim, deixou uma gestão bem avaliada em Minas Gerais, popularidade que não conseguiu repassar ao sucessor, Mateus Simões (PSD). Ao mesmo tempo, teve uma relação de idas e vindas com Jair Bolsonaro (PL) ao longo dos anos e que se refletiu no trato com Flávio.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesZema era um dos nomes testados para herdar o espólio político do ex-presidente, inelegível e condenado por tentativa de golpe de Estado. Além dele, eram pleiteados o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos), de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD) e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD). No fim, o ex-presidente escolheu o senador e filho.
Como Caiado, Zema seguiu com a candidatura, tangenciando críticas a Flávio Bolsonaro e mirando a gestão petista. O Novo, porém, buscou se diferenciar e ser mais incisivo nas críticas ao STF pelo Caso Master, uma retórica que, segundo integrantes da cúpula do partido ouvidos pelo Metrópoles, nenhum outro candidato teria.
Foi assim que nasceu a série satírica“Os Intocáveis”: vídeos curtos produzidos por inteligência artificial em que ministros como Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes aparecem caracterizados por fantoches. A ideia nasceu do próprio Zema em uma conversa com correligionários e a equipe.
Quem é Romeu Zema
- Empresário e político de 61 anos
- Nasceu em Araxá, no Triângulo Mineiro
- Se elegeu pela primeira vez em 2018 para governador de Minas Gerais, sendo reeleito em 2022
- Foi o primeiro governador eleito do Novo
STF e críticas a Flávio
Em março, uma dessas publicações levou o ministro Gilmar Mendes a pedir que Zema fosse incluído no inquérito das fakenews, relatado por Alexandre de Moraes. O decano apresentou uma notícia-crime contra o então pré-candidato. O embate animou o entorno de Zema e, assim, seguiu com as críticas focadas no Master.
Em maio, porém, a campanha precisou tomar uma decisão depois de o Intercept Brasil divulgar áudios em que Flávio Bolsonaro pede R$ 131 milhões para Daniel Vorcaro para financiar o filme sobre o pai, Dark Horse. Zema “optou pela coerência”, segundo um integrante da cúpula do partido, e fez duras críticas ao senador.
“Flávio Bolsonaro, ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável. É um tapa na cara dos brasileiros de bem. Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa. É preciso ter credibilidade para mudar o Brasil”, disse.
A declaração enfureceu o bolsonarismo, representou um rompimento entre candidatos à Presidência, que até aquele momento eram cordiais um com o outro, e colocou o Novo em uma posição delicada na composição presidencial. Isolado, o partido não conseguiu atrair outra sigla para a coligação, optando por uma chapa puro-sangue com Eduardo Girão como vice.
Além disso, o racha incomodou alguns os diretórios estaduais que dependem da aliança com o PL. O partido de Zema está coligado com o PL em 13 Unidades da Federação.
Ao todo, o Novo tem quase 1.300 candidatos nestas eleições, sendo 13 ao Senado, dentre eles algumas das principais apostas do partido. A candidatura à Presidência de Zema buscava ajudar a alavancar esses e outros nomes, mas o desempenho tímido e a briga com o PL têm impactado campanhas, em especial nesta reta final.
Pesquisas
Depois das críticas a Flávio, Zema viu o seu desempenho piorar. Apesar da pulverização de candidaturas da direita, Flávio se cristalizou na liderança do espectro contra Lula e os números de Zema foram caindo ao longo do tempo, apesar de não serem historicamente altos.
No final de 2025, antes da pré-candidatura de Flávio ser anunciada, Zema pontuava entre 3% e 12% nos cenários estimulados da Quaest de outubro. Depois, em janeiro e com o senador listado, o levantamento mostrou que o desempenho do então governador de Minas caiu para uma margem entre 2% e 5%.
Na pesquisa Datafolha divulgada em 1º/10, Romeu Zema pontuou 1% das intenções de votos no primeiro turno.
Para integrantes do partido, os desdobramentos sobre a relação de Flávio com Vorcaro acabaram permeando toda a eleição e, apesar do último mês da campanha coincidir com a crise de credibilidade vista no Supremo, Zema não conseguiu se destacar e aliados foram, um a um, deixando o barco.
Integrantes do Novo, como o deputado federal e candidato ao Senado, Marcel van Hattem (RS), abriram voto em Flávio Bolsonaro já no primeiro turno. A debandada não se deu sem aviso. Em uma reunião nos últimos dias, candidatos disseram a Zema que são cobrados nas suas bases por apoio ao senador, diante de um recém-criado “senso de urgência em derrotar o Lula”. Zema entendeu e aceitou seu destino.
Apesar de ter sido procurado nos últimos dias em uma última tentativa de desistir do pleito, Zema disse que irá com a candidatura até o fim- a não ser que haja uma desistência entre os demais candidatos da direita. Para um eventual segundo turno, aliados apostam em que Zema embarcará rápido no apoio a Flávio.



