Ipê é retirado de lista internacional de proteção de espécies ameaçadas
A decisão foi tomada após a cúpula da pasta e do Ibama ser procurada por madeireiros do Mato Grosso e do Pará
atualizado
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O governo federal, em agosto do ano passado, afrouxou o processo de exportação do ipê. O ipê, árvore símbolo de Brasília, é considerado uma das madeiras brasileiras mais cobiçadas no mercado internacional. A decisão contraria um parecer técnico do Ibama e uma solicitação para que a espécie fosse incluída em um sistema de monitoramento internacional.
Com essa decisão, o ipê passou a ser vendido como qualquer espécie, sem nenhum controle específico, a preços de eucalipto, madeira que não é tão valorizada.
De acordo com o Estadão., os técnicos do Ibama elaboraram, em dezembro de 2018, um extenso relatório para demonstrar que o ipê, com 92% da produção vendida para o exterior, vinha sendo extraído há anos no país sem nenhum tipo de rigor ou fiscalização. E é alvo de um comércio dominado pelo crime organizado que atua na floresta.
Com esse parecer, os técnicos pediram oficialmente que a espécie fosse incluída na lista de espécies ameaçadas de extinção ou em situação de alerta administrada pela Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção (Cites, na sigla em inglês).
A convenção é um acordo internacional assinado pelo Brasil em 1973 e que reúne 183 países com o objetivo de monitorar o comércio de animais e plantas selvagens no mundo para que ele não ponha em risco a sobrevivência das espécies. Árvores brasileiras como o Mogno e o Pau-Brasil já estão nessa lista.
De acordo com o Estadão, a decisão foi tomada após a cúpula da pasta e do Ibama ser procurada por madeireiros do Mato Grosso e do Pará, que pressionaram para que a espécie não entrasse na lista da Cites, sob o argumento de que a mudança iria atrapalhar o comércio internacional da madeira. Alegaram ainda que precisavam ser ouvidos no processo de decisão.








