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O ex-policial militar Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando Curicica, investigado pelo assassinato da vereadora Marielle Franco, foi denunciado nesta terça-feira (10/7) como mandante de outro crime. Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, ele mandou matar Carlos Alexandre Pereira Maria, o Alexandre Cabeça, assessor informal do vereador Marcello Siciliano (PHS), também apontado por uma testemunha como envolvido na morte de Marielle.

Alexandre Cabeça foi morto na noite de 8 de abril, na Estrada do Curumau, na Taquara, Zona Oeste do Rio, 25 dias depois da morte de Marielle. A acusação contra Curicica foi apresentada pela 23ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal da 1ª Central de Inquéritos e é baseada em relato feito pelo também acusado Ruy Ribeiro Bastos, que confessou o assassinato de Alexandre e fez acordo de delação premiada.

Ele contou que a ordem do assassinato partiu de Curicica, quando ele ainda estava no presídio Bandeira Stampa, em Bangu (Zona Oeste), antes de ser transferido para a penitenciária federal de Mossoró-RN.

O MP-RJ afirma que Orlando Curicica é líder de uma milícia que atua na região de Curicica, em Jacarepaguá (Zona Oeste), e autorizou o assassinato de Alexandre, dividindo a condição de mandante com Diogo Maia dos Santos, outro líder da mesma milícia. O motivo seria uma informação veiculada por Alexandre nas redes sociais sobre um homicídio.

O crime teria sido praticado por Bastos, Rondinele de Jesus da Silva e Thiago Bruno Mendonça. Esses três, junto com Santos, já respondem pelo homicídio, em processo que tramita no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. O Ministério Público quer que o processo contra Orlando Curicica seja enviado para o mesmo juízo.

O MP-RJ afirma que os executores de Alexandre receberam de R$ 500 a R$ 1.250 cada para praticar o crime. Curicica pode responder por homicídio qualificado mediante pagamento, por motivo fútil e com impossibilidade de defesa da vítima, atingida pelos disparos efetuados a pouca distância e contra seu pescoço

Além de acusar Curicica pelo homicídio, o MP-RJ pede a prisão preventiva do denunciado (atualmente detido na penitenciária federal de Mossoró-RN, por outro crime) e sua condenação ao pagamento de indenização pelos danos materiais e morais causados aos familiares da vítima.