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Em entrevista na manhã desta quarta-feira (13/6) à rádio CBN, o ministro extraordinário da Segurança, Raul Jungmann, afirmou que o assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes, ocorrido em 14 de março, está levando aproximadamente o mesmo tempo para ser solucionado que outros crimes de grande repercussão no Rio.

Ele citou como exemplo o desaparecimento do pedreiro Amarildo, na Rocinha (zona sul do Rio), em 2013, e a execução da juíza Patrícia Acioli, em Niterói, em 2014. Nesta quinta-feira (15) a morte de Marielle e Anderson completa três meses sem solução.

“Eu tenho como parâmetro o caso do Amarildo, que levou aproximadamente de 90 a cem dias, se não me falha a memória, e o caso da Patrícia Acioli. (Esses casos) foram desvendados pela mesma equipe que está investigando o caso da Marielle”, afirmou.

O ministro ressaltou que a mobilização para a solução do caso é intensa. “A Polícia Federal está colaborando intensamente, todas as outras áreas de inteligência (também estão colaborando) para que se possa construir provas e chegar até o executante e também até o mandante desse crime”, disse. “É do interesse de todos que seja esclarecido”, continuou.

Jungmann lembrou, no entanto, que um complicador no caso das mortes de Marielle e Anderson é que a motivação do crime é desconhecida: “O que acontece é que esse é um crime de desvendamento complexo. Pelo menos até onde eu saiba, e eu devo voltar ao Rio esta semana, não se tinha informação do motivo. Qual foi a ameaça? Qual foi o conflito em que Marielle se envolveu para que acontecesse essa tragédia que aconteceu com ela?”

Anistia cobra MP sobre caso Marielle
A Anistia Internacional organizou uma manifestação na manhã desta quarta (13) para cobrar do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPERJ) um papel mais ativo nas investigações dos assassinatos da vereadora e do motorista Anderson Gomes, que completam 90 dias nesta quinta (14).

A assessora de Direitos Humanos da entidade, Renata Neder; a viúva de Marielle, Mônica Benício, e o pai da vereadora, Antônio Francisco da Silva, além de participarem do ato, se reuniram com o procurador-geral do Ministério Público do Rio de Janeiro, Eduardo Gussem, para pedir a atuação estratégica do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp) e do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

“A gente espera que o procurador-geral se pronuncie reafirmando seu compromisso absoluto com a solução adequada desse caso”, disse Renata, que destacou que o Ministério Público precisa averiguar se a condução das investigações tem sido adequada e se não há negligência.

A entidade entregou um ofício ao procurador-geral. Ele reafirmou o compromisso com a elucidação dos crimes. “É importante que cheguemos aos verdadeiros culpados. É obvio que uma investigação dessa magnitude, dessa complexidade, leva um período significativo, e não estamos abrindo mão de qualquer tipo de informação ou relacionamento”.