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No Dia dos Namorados e por ocasião dos três meses do assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSol), a arquiteta Mônica Benício, sua mulher, divulgou um vídeo feito pela Anistia Internacional no qual ela revela só conseguir manter-se firme na luta por justiça por conta da “rede internacional de afeto” que a cerca. O crime foi no dia 14 de março e segue sem resposta da polícia.

“O apoio tem sido muito grande. É isso que ajuda a manter a luta, faz com que eu me levante de manhã. Dá algum sentido (à vida) saber da existência dessa rede de afeto mundial. Toda essa rede está cobrando por justiça, pressionando as investigações, sobretudo, lutando para que não haja mais Marielles”, diz Mônica no vídeo, gravado na casa onde vivia com Marielle e a filha da vereadora, Luyara, de 19 anos, na zona norte do Rio de Janeiro.

Assista:

Segundo Mônica Benício, ela e Marielle Franco se conheceram há 14 anos e passaram a se relacionar, com idas e vindas. Ambas cresceram no Complexo da Maré, conjunto de favelas da zona norte do Rio. Mônica disse que chegou a haver certa resistência em tornar o namoro e, depois, o casamento públicos, mas ressalvou: Marielle era “maravilhosa com demonstrações de afeto”, compartilhando fotos do casal em suas redes sociais constantemente.

“Ela lutava na causa LGBT, não escondia o relacionamento, reforçava que era um amor legítimo, feliz, que nossas famílias existem. Era a principal forma de ela lutar dentro dessa causa. Todo dia era um dia de resistência, de ficar autoafirmando”, declarou Mônica. Desde o assassinato, a viúva de Marielle faz aparições públicas em atos em homenagem a veradora carioca e em defesa dos direitos individuais.

Crime sem punição
A vereadora, quinta mais votada em 2016 no estado, foi morta a tiros de submetralhadora em seu carro, no Estácio, zona central da cidade. O motorista dela, Anderson Gomes, também foi vitimado pelo ataque. O crime teria motivação política. Marielle era defensora dos direitos humanos, com foco principalmente em mulheres e populações faveladas. A polícia investiga a participação de milicianos no caso, mas não vem divulgando os passos do inquérito.

Uma testemunha relatou que a execução foi encomendada pelo vereador Marcello Siciliano (PHS). Ele teria envolvimento com milícias da zona oeste. Com suas ações políticas, Marielle teria “atrapalhado” a atuação do grupo, que contava ainda com um ex-PM preso por outros crimes, em favelas da região. O vereador e o PM negam envolvimento.

A família de Marielle e a Anistia Internacional já se posicionaram cobrando da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro um posicionamento público sobre as investigações. A organização reforça que crimes contra defensores de direitos humanos no Brasil tradicionalmente caem no esquecimento, e os culpados ficam impunes.

 

 

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