Inteligência do Ministério da Justiça listou 579 servidores "antifascistas"
Relatório feito em julho investigou postagens de apoio ao movimento antifascista. Revelação é do UOL e foi confirmada pelo MJ
Quando protestos contra o governo federal se reuniram sob a bandeira do movimento antifascista, ou “antifa”, em meados de julho, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) partiu para cima dos manifestantes, que chamou de “terroristas”, “marginais” e “idiotas que não servem para nada”. Nas semanas seguintes, uma secretaria do Ministério da Justiça produziu e enviou a órgãos do setor de segurança em todo o país um relatório sobre o movimento, inclusive identificando 579 servidores “antifa”.
A existência do relatório foi revelada pela coluna do repórter Rubens Valente no portal UOL, e confirmada pelo Metrópoles. Consultado, o governo classificou a atividade de inteligência como “atividade de rotina”.
Segundo a reportagem, a Seopi (Secretaria de Operações Integradas) produziu na primeira quinzena de junho deste ano um relatório com o título “Ações de Grupos Antifa e Policiais Antifascismo”. A investigação foi feita após vir à tona, em 5 de junho, o manifesto “ Policiais antifascismo em defesa da democracia popular
A partir dessas assinaturas, a Seopi ampliou a investigação e listou, segundo o UOL, 579 nomes de servidores “antifascistas” em uma tabela. Os nomes foram divididos por Estado. Não há investigação formal contra os alvos, apenas sua listagem como simpatizantes do antifascismo.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesNotícias relacionadas a servidores antifascismo e livros como Antifa – o manual antifascista, de Mark Bray, fazem parte do relatório, informa a apuração.
O relatório do Ministério da Justiça diz ainda que “além desses servidores foi possível identificar alguns formadores de opinião, professores, juristas e o atual secretário de estado de articulação da cidadania do Pará [sic], defensores desse movimento”.

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Frequência de envio: Diário
Ver todasOs citados são os professores universitários Paulo Sérgio Pinheiro (integrante da Comissão Arns de direitos humanos, presidente da comissão independente internacional da ONU sobre a República Árabe da Síria desde 2011, com sede em Genebra, nomeado pelo conselho de direitos humanos da ONU, ex-secretário nacional de Direitos Humanos no governo de FHC e ex-integrante da Comissão da Verdade); Luiz Eduardo Soares (cientista político, secretário nacional de Segurança Pública no primeiro governo Lula e co-autor do livro “Elite da Tropa”; e Ricardo Balestreri (secretário estadual de Articulação da Cidadania do governo do Pará e ex-presidente da Anistia Internacional no Brasil).
A Seopi ganhou estatus de secretaria já na gestão Bolsonaro/Sergio Moro. As operações de inteligência no âmbito do Ministério da Justiça, porém, já faziam parte da rotina em governos passados.
O órgão é comandado desde maio por Jeferson Lisbôa Gimenes, um delegado da Polícia Civil do DF nomeado para o cargo por André Mendonça, ministro que substituiu Moro.
Outro lado
Procurado, o Ministério da Justiça e Segurança Pública admitiu a existência do documento, mas não viu gravidade na apuração. “A atividade de Inteligência de Segurança Pública é realizada por meio do exercício permanente e sistemático de ações especializadas para identificar, avaliar e acompanhar ameaças potenciais ou reais””, justificou a pasta.
Veja a nota completa:
O Sistema Brasileiro de Inteligência (instituído pela Lei nº 9.883/1999) é responsável pelo processo de obtenção, análise e disseminação da informação necessária ao processo decisório do Poder Executivo. A atividade de Inteligência de Segurança Pública é realizada por meio do exercício permanente e sistemático de ações especializadas para identificar, avaliar e acompanhar ameaças potenciais ou reais. O objetivo é subsidiar decisões que visem ações de prevenção, neutralização e repressão de atos criminosos de qualquer natureza que atentem contra a ordem pública, a incolumidade das pessoas e o patrimônio.
Como agência central do Subsistema de Inteligência de Segurança Pública (Decreto 3695/2000), cabe à Diretoria de Inteligência da Secretaria de Operações Integradas (Seopi) do Ministério da Justiça e Segurança Pública, como atividade de rotina, obter e analisar dados para a produção de conhecimento de inteligência em segurança pública e compartilhar informações com os demais órgãos componentes do Sistema Brasileiro de Inteligência.

















