INSS: deputada tinha “controle real” das fraudes, aponta investigação

Gorete Pereira é alvo de operação da PF sobre descontos indevidos de aposentados e pensionistas. Entidades eram usadas para desviar dinheiro

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deputada federal Maria Gorete Pereira | INSS
1 de 1 deputada federal Maria Gorete Pereira | INSS - Foto: Reprodução

A deputada federal Gorete Pereira (MDB-CE) tinha um papel central no esquema de fraudes financeiras do INSS. A conclusão consta em despacho do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para autorizar, nesta terça-feira (17/3), a Operação Indébito. Segundo as investigações da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU), a parlamentar mantinha o “controle real” das associações que eram usadas como laranja para o desvio de recursos.

As entidades apontadas como suspeitas são: Associação dos Aposentados e Pensionistas de Bases (AAPB),  Caixa de Assistência dos Aposentados e Pensionistas (CAAP), Associação dos Aposentados e Pensionistas Nacional (AAPEN) e Programa Brasileiro de Assistência aos Servidores Públicos (Probasp).

“Formalmente, essas entidades têm presidentes e diretorias próprias. Na prática, são apenas ‘laranjas” que emprestam seus nomes, enquanto Natjo, Cecília e Gorete mantinham o controle real através de procurações, subordinados estrategicamente posicionados e, principalmente, através do controle absoluto dos recursos financeiros”, escreveu o magistrado.

Natjo de Lima Pinheiro é empresário do setor de saúde e descrito pela Justiça como um dos principais operadores do esquema. Cecília Rodrigues Mota é advogada, também presa na ação, e é apontada como integrante do núcleo operacional.

Segundo o ministro, a investigação reuniu provas como comprovantes de transferências bancárias e mensagens trocadas entre integrantes do grupo.

Gorete Pereira é apontada como  “integrante relevante” do grupo criminoso, com atuação na articulação política e operacional das associações fraudulentas. Ela vai usar tornozeleira eletrônica.

Controle

Segundo a PF, a deputada controlava as entidades para a expansão dos descontos indevidos e mantinha interlocução com autoridades e servidores públicos.

“De acordo com a representação da Polícia Federal, Maria Gorete Pereira utilizava influência política para viabilizar acordos com o INSS e manter contato direto com autoridades administrativas, bem como pressionava servidores públicos para acelerar processos”, disse o ministro.

Para Mendonça, foi atestada “a prática de operações de lavagem de dinheiro, de ocultação patrimonial e de continuidade dos ilícitos mesmo após o início das investigações e operações deflagradas para cessar as condutas criminosas”, disse.

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Polícia Federal durante Operação Sem Desconto, investigação relacionada ao desvio de recursos INSS
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Polícia Federal durante Operação Sem Desconto, investigação relacionada ao desvio de recursos INSS

Divulgação/Polícia Federal (PF)

A parlamentar foi alvo da Operação Indébito, um desdobramento da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de desvios não autorizados em aposentadorias e pensões de beneficiários do INSS.

Em nota divulgada por sua assessoria, a deputada afirma que “não praticou qualquer ato ilícito e que as informações divulgadas não refletem a realidade dos fatos”.

Veja:

“A deputada federal Gorete Pereira reitera que não praticou qualquer ato ilícito e que as informações divulgadas não refletem a realidade dos fatos.

Sua trajetória pública de mais de 40 anos sempre foi pautada pela integridade.

A parlamentar informa que sua defesa já analisa o teor da decisão.

O advogado Dr. Waldir Xavier se manifestará oportunamente após análise detalhada do caso.

Confiante no devido processo legal, a deputada reafirma seu compromisso com a legalidade e a transparência”.

O MDB informou que não vai se manifestar sobre a investigação contra a deputada federal Maria Gorete Pereira (MDB-CE). Segundo a sigla, a filiação da parlamentar é recente, e a apuração da Polícia Federal diz respeito ao período em que ela era de outro partido. Procurando, o PL Nacional também não quis se manifestar. O espaço segue aberto.

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