Indigenistas acusam governo de negligência após disparada da violência
Dados recentes mostram que agressões e assassinatos de indígenas, e invasões de áreas demarcadas, aumentaram no país

O desaparecimento do indigenista Bruno Araújo Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips na reserva Vale do Javari, no Amazonas, desencadeou uma série de críticas à gestão do governo de Jair Bolsonaro (PL) sobre os assuntos relacionados aos indígenas.
O Atlas da Violência, divulgado no ano passado, apontou que omissão na fiscalização e proteção de terras indígenas, junto com a exploração ilegal de madeira, o garimpo ilegal e invasões por madeireiros e fazendeiros contribuíram para o aumento da violência letal.
O documento aponta que mais de 2 mil indígenas foram assassinados entre 2009 e 2019 no Brasil. Nessa década, a taxa de mortes violentas de indígenas aumentou 21,6%, saindo de 15 por 100 mil indígenas, em 2009, para 18,3, em 2019, movimento oposto ao que ocorreu com a taxa de assassinatos em geral no país, que foi de 27,2 para 21,7 por 100 mil habitantes.

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Ver todasNa mesma tendência, a Comissão Pastoral pela Terra, em estudo publicado em abril deste ano, mostrou que em 2021 somente nos estados da Amazônia Legal foram 28 assassinatos.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO estudo Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, divulgado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) em 2020, mostra que as invasões a terras indígenas aumentaram 137% em dois anos de governo Bolsonaro.
Invasões em terras indígenas, segundo o Cimi:
- 2020- 263 casos
- 2019 – 256 casos
- 2018 – 111 casos
O panorama preocupante, que já era motivo de atrito entre o governo, ativistas e povos indígenas, ganhou novos contornos com o sumiço de Dom Phillips e Bruno Araújo Pereira, no último domingo (5/6).
Até o momento, os dois não foram encontrados, e não se sabe o que ocorreu. A Marinha, o Exército, a Polícia Federal, a Força Nacional e a Fundação Nacional do Índio (Funai), além de equipes indígenas, realizam buscas e investigam o caso.
“As organizações indígenas vêm denunciando sistematicamente as invasões, por garimpeiros, madeireiros, narcotraficantes, pescadores e caçadores, que se sentem respaldados e empoderados diante da negligência e do permanente ataque aos direitos indígenas por parte do governo federal”, frisa o Cime, em nota.
“Escalada de violência”
Em posicionamento conjunto, a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), o Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) criticaram a atuação do governo.
As associações denunciam uma “escalada de violência contra os povos indígenas e defensores de direitos humanos no Brasil”. “Avança de forma cada vez mais descontrolada a violência exercida mediante a invasão das terras indígenas e outras terras da União”, ponderam, em comunicado.
Versão oficial
A Funai, em nota, nega omissão e garante que investiu R$ 82,5 milhões em ações de fiscalização de terras indígenas entre 2019 e 2021. “Os valores superam em 151% o total investido entre os anos de 2016 e 2018, cujo aporte ficou em torno de R$ 32,8 milhões”, frisa o texto.
A proteção das aldeias é, segundo o órgão, uma das prioridades na atuação da Funai. “As ações fiscalizatórias e de monitoramento territorial são fundamentais para garantir a segurança das comunidades, bem como para coibir ações ilícitas, tais como extração ilegal de madeira, atividade de garimpo e caça e pesca predatórias”, defende.
A Funai ressalta que reforçou a segurança de povos isolados durante a pandemia Covid-19 com atividades de fiscalização e vigilância territorial junto a órgãos ambientais e de segurança pública competentes.





















