Indicações de Lula ao BC podem seguir travadas após derrota de Messias

Rejeição de Messias pelo Senado Federal pode impactar indicações do presidente para diretoria do Banco Central (BC)

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Fachada do Banco Central, em Brasília. Reunião do Copom terá dois diretores a menos
1 de 1 Fachada do Banco Central, em Brasília. Reunião do Copom terá dois diretores a menos - Foto: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

O Banco Central (BC) está com dois diretores a menos na composição desde dezembro de 2025 e a tendencia é que esse período seja prolongado após a rejeição do Advogado-Geral da União, Jorge Messias, para vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), na última quarta-feira (29/4).

O cenário é de desgaste político para o governo. Uma derrota desse nível nunca havia acontecido na história recente, e fez com que o Palácio do Planalto recalculasse a rota antes da indicar nomes para a autoridade monetária.

Os indicados ao BC precisam passar pela aprovação da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal. Embora o peso seja menor do que uma aprovação em plenário, a derrota recente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o momento sensível para o BC — em meio as investigações envolvendo o Banco Master —, podem atrapalhar a aprovação de um novo diretor da autarquia.

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Diretores do BC

As duas vagas para o BC são na diretoria de Organização do Sistema Financeiro e na diretoria de Política Econômica. Os antigos diretores foram indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Agora, com as indicações de Lula, o Comitê de Política Monetária (Copom), deve ser composto inteiramente por indicações do governo.

Confira os integrantes do BC indicados por Lula:

  • Gabriel Galípolo – presidente do Banco Central;
  • Ailton Aquino – diretor de Fiscalização;
  • Gilneu Vivan ​– diretor de Regulação​ e Organização do Sistema Financeiro ​​;
  • Izabela Moreira Correa – diretora de Cidadania e Supervisão de Conduta;
  • Nilton David ​​– diretor de Política Monetária​;
  • Paulo Picchetti – diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos​ e Diretor de Política Econômica;
  • Rodrigo Alves Teixeira ​​​– diretor de Administração​.

Após Lula indicar um nome, é necessário que se marque a data da sabatina na CAE. O processo geralmente leva de um a dois meses, já que os postulantes precisam passar pelo famoso “beija-mãos”, período em que passam pelos gabinetes dos senadores em busca de apoio.

No entanto, por ser um ano eleitoral, é comum que parlamentares se afastem de Brasília para se dedicar as eleições, o que pode esvaziar a Casa Alta.

Além disso, existe o risco, apesar de baixo, de que os senadores deixem a apreciação das indicações para depois das eleições — ou seja, em caso de derrota de Lula, o presidente eleito é quem indicaria os novos nomes.

Até o momento, Lula ainda não deu indícios de quais nomes deve escolher para as cadeiras no Banco Central. Os dois nomes citados pelo então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foram amplamente rejeitados pelo mercado financeiro e até por alguns parlamentares por terem uma postura mais “de esquerda”.

A indicação de Lula deve avaliar critérios técnicos e levar em consideração as opiniões de integrantes da Faria Lima, em uma corda bamba em momento em que o Copom iniciou um ciclo de flexibilização monetária, levando a Selic a 14,50% na última reunião.

Além disso, o BC passa por um período conturbado de crise, com ataques ao sistema financeiro nacional e a independência da instituição. Indicações fortes de Lula podem ajudar a conter o momento de crise vivido pela autoridade monetária.

Entenda o que é o Copom

  • O Comitê de Política Monetária é o órgão do Banco Central responsável por definir a taxa básica de juros da economia, a Selic;
  • O grupo usa a Selic para controlar a inflação, quando ela sobe demais, os juros aumentam; quando está baixa, há espaço para reduzir;
  • O Copom é formado pelo presidente do BC e pelos diretores da instituição, especializados em áreas como política econômica e regulação;
  • O colegiado se reúne a cada 45 dias para analisar dados da economia, como inflação, câmbio, atividade e cenário internacional, antes de votar a taxa.

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