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Brasil

Com incerteza da guerra, governo busca saída para subsídio da gasolina

Equipe econômica do governo adia decisão sobre corte do benefício na gasolina diante do risco de alta do petróleo e pressões sobre inflação

10/07/2026 04:30
KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
Com incerteza da guerra, governo busca saída para subsídio da gasolina

A escalada de tensões entre Irã e Estados Unidos (EUA) atrapalhou os planos da equipe econômica para os combustíveis no Brasil e levou o governo a adiar uma decisão sobre o futuro do subsídio à gasolina.

A avaliação, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, é de que o cenário internacional ainda é instável e pode pressionar novamente os preços do petróleo nas próximas semanas.

“Eu tinha a expectativa, sim, de tirar a subvenção da gasolina em um prazo mais curto. Mas de novo, a situação da guerra se agrava, no que a gente ouviu foi uma declaração do presidente dos Estados Unidos dizendo que o cessar-fogo estava encerrado e que o acordo de paz já não seria mais executado nos termos e que estava sendo planejado. O que nos acendeu o sinal de alerta”, explicou.

A discussão ocorre em meio à tentativa do governo de reduzir o custo fiscal das medidas emergenciais adotadas para conter a alta dos combustíveis.

Criada como resposta ao choque externo provocado pela guerra, a subvenção aos combustíveis tem prazo limitado e depende de reavaliações frequentes diante das oscilações do mercado internacional.

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A decisão sobre a manutenção ou corte do subsídio à gasolina, que era esperada para esta semana, foi adiada para a próxima. A equipe econômica tem defendido cautela, diante do risco de uma nova disparada do petróleo caso o conflito se intensifique.

A leitura é que uma retirada precipitada do benefício pode ter impacto direto sobre a inflação, item essencial na popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), principalmente em ano eleitoral.

Além disso, o ministro reforçou que não está sendo discutido a ampliação dos subsídios já vigentes.

“Nós não estamos discutindo aumento, nós estamos discutindo retirada de subsídio e o tempo da retirada, e reitero, meu objetivo é a retirada dos subsídios, mas eu preciso ter cautela porque os eventos novos aconteceram ontem. É importante que a gente acompanhe diariamente como nós temos feito os efeitos da guerra para a economia do país”.


Entenda a nova crise entre Irã e EUA

  • O presidente americano, Donald Trump, declarou o fim do acordo após nova escalada militar e bombardeio de navios petroleiros no Estreito de Ormuz;
  • O republicano afirmou que o entendimento perdeu sentido diante das “hostilidades recentes”;
  • O Irã, por outro lado, acusou os EUA de violar termos do acordo de paz, citando bombardeios e ameaças contínuas como quebra do compromisso;
  • As negociações já estavam fragilizadas, com o próprio Irã indicando que não seguiria dialogando sob pressão militar;
  • O acordo, firmado semanas antes, pode não à troca de ataques e ao aumento da tensão geopolítica, que inviabilizaram a trégua e trazem incerteza aos mercados mundiais;

Medidas para conter os preços dos combustíveis

As medidas adotadas pelo governo desde o início da crise tiveram como objetivo amortecer o impacto da alta internacional dos combustíveis. A guerra elevou o preço do barril de petróleo e pressionou cadeias produtivas no mundo todo, levando o país a recorrer a subsídios e redução de impostos para evitar repasses imediatos ao consumidor.

No caso da gasolina, o modelo de subvenção foi estruturado para reduzir o preço final nas bombas, com valores que chegaram a ser estimados em cerca de R$ 0,44 por litro. A política, no entanto, sempre foi tratada como temporária, condicionada ao comportamento do mercado internacional de petróleo.

Veja quais medidas já foram anunciadas pelo governo para conter o preço dos combustíveis: 

  • Subvenção ao diesel;
  • Isenção de impostos federais sobre o biodiesel;
  • Subvenção ao gás de cozinha;
  • Subvenção ao querosene da aviação (QAV);
  • Subvenção para a gasolina.

A incerteza atual tem relação direta com o risco de reescalada do conflito no Oriente Médio, que já provocou forte volatilidade nos preços do barril nos últimos meses. Dentro da equipe econômica, há o entendimento de que o ideal seria encerrar gradualmente os subsídios, desde que o petróleo se estabilize em patamares mais baixos.

Enquanto isso, o governo já começou a desmontar parte das medidas emergenciais. Um dos exemplos foi o fim da subvenção ao diesel, que previa desconto direto no preço do combustível.

Relação com o Congresso Nacional

No Congresso Nacional, o tema também segue em aberto. A Medida Provisória (MP) que autoriza a concessão de subsídios aos combustíveis foi prorrogada por mais 60 dias. A extensão do prazo é vista como um sinal de que o governo ainda não chegou a um consenso sobre a melhor saída.

No entanto, o cenário externo segue como principal variável, já que a evolução do conflito no Oriente Médio e seus efeitos sobre a oferta global de petróleo continuam sendo monitorados de perto pelo governo brasileiro. Uma nova escalada militar poderia interromper rotas de abastecimento e pressionar ainda mais os preços internacionais.

Além disso, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que aos líderes colocará em votação o projeto que cria um mecanismo de compensação sobre a perda de arrecadação sobre a redução dos impostos.

O Projeto de Lei Complementar (PLP) foi enviado pelo governo para permitir o uso das receitas extraordinárias com petróleo para compensar os subsídios, no entanto, o texto passou por diversas alterações e emendas, fugindo do escopo apresentado pela equipe econômica.

Diante desse quadro, a tendência é que o governo adote uma estratégia gradual, com decisões calibradas semana a semana. A avaliação predominante é de que, enquanto persistirem as incertezas geopolíticas, será difícil abrir mão completamente dos mecanismos de proteção aos preços.