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Imprensa

Metrópoles vence 47º Prêmio Vladimir Herzog de Jornalismo

Reportagem A Política da Bala venceu na categoria Produção Jornalística em Multimídia por decisão unânime dos jurados

07/10/2025 19:02, atualizado 08/10/2025 20:34
Arte/Metrópoles
Imagem mostra em primeiro plano um homem branco vestido com a farda da polícia militar em frente a fotos de vítimas

A reportagem A Política da Bala, do Metrópoles, venceu a categoria Produção Jornalística em Multimídia do 47º Prêmio Vladimir Herzog, um dos mais importantes da imprensa brasileira. A premiação reconhece as melhores reportagens relacionadas a temas de direitos humanos produzidas no Brasil.

A decisão dos jurados foi unânime, acompanhando o parecer da relatora Tatiana Farah, representante da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).

“É um trabalho de excelência. A reportagem foi feita de uma forma muito técnica e sensível, usou muitas informações e deu voz aos familiares das vítimas, pessoas que nem sempre têm voz. Denunciou de maneira primorosa uma política estatal de execução”, defendeu Farah. O projeto gráfico da matéria e os recursos multimídia utilizados também foram elogiados pelos jurados, devido à capacidade de humanização do assunto.

Escrita por Artur Rodrigues e Renan Porto, a reportagem A Política da Bala faz uma radiografia inédita sobre o que está por trás da alta na letalidade da PM de São Paulo, sob a gestão do governador Tarcísio de Freitas e do secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite.

O esforço jornalístico envolveu a obtenção de boletins de ocorrência, processos judiciais, laudos criminais e vídeos relativos a 227 casos registrados em 2024 – essas ocorrências apontaram 246 “mortes decorrentes de intervenção policial”. A análise dos documentos mostrou que 85 pessoas foram mortas enquanto estavam desarmadas e 47 acabaram baleadas pelas costas, contrariando os protocolos que autorizam a reação a tiros apenas em caso de grave ameaça à vida dos policiais.

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A apuração também mostrou a existência de um “pelotão da morte” na Polícia Militar de São Paulo, um pequeno número de oficiais responsáveis por mais de 20% dos homicídios registrados no período.

Minidocumentário

A reportagem conta com um minidoc produzido por Rodrigo Freitas. A edição do material coube a Fabio Leite, diretor da sucursal de São Paulo, e a revisão do texto ficou a cargo de Juliana Garcês. Participaram da concepção do material Lilian Tahan, Otto Valle, Márcia Delgado, Olívia Meireles e Érica Montenegro.

O projeto gráfico é de Guí Prímola, Lygia Lyra e Gabriel Lucas. A pesquisa de imagens foi feita por Michael Melo, e o desenvolvimento tecnológico do projeto coube a Ítalo Ridney, Caio Sales e Saulo Marques.

Prêmio Vladimir Herzog

O Prêmio Vladimir Herzog de Jornalismo é um dos mais tradicionais e importantes da imprensa brasileira. Criado há 47 anos em homenagem ao jornalista Vladimir Herzog – que foi assassinado pela ditadura militar em 1975 –, o concurso destaca as melhores reportagens que abordam questões ligadas a direitos humanos.

Na edição do ano passado do Prêmio Herzog, o Metrópoles recebeu menção honrosa pela matéria Gigante Pela Própria Imundice. Em 2023, a reportagem Ouro Líquido levou a categoria Produção Jornalística em Multimídia, e, em 2022, a matéria A rota do tráfico humano na fronteira da Amazônia obteve menção honrosa na mesma categoria.