IBGE: Brasil tem 8,4 milhões de analfabetos, menor taxa em 10 anos
De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, divulgada pelo IBGE, a taxa nacional de analfabetismo é de 4,9%

A condição de quem não sabe ler nem escrever: esta é a definição de analfabetismo e, ao todo, 8,4 milhões de pessoas com 15 anos ou mais se encaixam neste perfil no Brasil — o que representa taxa nacional de analfabetismo de 4,9%.
Os dados são Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) Educação, divulgada, nesta sexta-feira (19/6), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para o instituto, é considerada alfabetizada a pessoa capaz de ler e escrever pelo menos um bilhete simples.
Raio-x do analfabetismo
- Em 2025, o Brasil tinha 8,4 milhões de pessoas com 15 anos ou mais de idade analfabetas, correspondendo a uma taxa de analfabetismo de 4,9%, a menor da série histórica iniciada em 2016. Essa taxa recuou de 6,7%, em 2016, para 5,3%, em 2023 e para 4,9%, em 2025.
- A proporção de pessoas de 25 anos ou mais de idade que terminaram a educação básica obrigatória no país (pelo menos o ensino médio) chegou a 42,6% em 2025, maior percentual da série iniciada em 2016 (46,2%).
- Em 2025, a média de anos de estudo das pessoas de 25 anos ou mais de idade no Brasil chegou a 10,2 anos, a mais alta da série. Em 2023, essa média era de 10,1 anos e, em 2016, de 9,1 anos.
- A escolaridade média das mulheres (10,4 anos) continua superior à dos homens (10,0 anos). As pessoas brancas alcançaram 11,1 anos de estudo e as pessoas pretas ou pardas, 9,5 anos.
Os números cobrem a série histórica iniciada em 2016 e vão até 2025. Em comparação com 2024, o índice do ano passado sofreu redução de cerca de 592 mil analfabetos na população brasileira.
Em nove anos, a taxa nacional caiu de 6,7%, em 2016, para 4,9%, em 2025, uma redução de 1,8 ponto percentual. Os dados evidenciam a menor taxa da série histórica iniciada em 2016. A redução mais expressiva ocorreu entre a população idosa (60 anos ou mais), cuja taxa de analfabetismo recuou de 20,5% para 13,8% no período.
Taxa por idade, gênero e cor ou raça
O analfabetismo no Brasil segue fortemente associado à idade, evidenciando que 58% do total de analfabetos do país em 2025 tinham 60 anos ou mais, representando 4,8 milhões de pessoas ou 14,9% desse grupo etário.
Nos grupos mais jovens a taxa nacional diminui, caindo para 8,3% entre pessoas com 40 anos ou mais, 5,8% na faixa de 25 anos ou mais, e atingindo a média geral de 4,9% na população a partir de 15 anos.
O cenário é descrito pelo maior acesso das novas gerações à escola na infância, uma vez que a taxa entre pessoas de 15 a 59 anos ficou em apenas 2,6%.
No recorte por gênero, a taxa geral de analfabetismo foi de 4,6% para mulheres e 5,2% para homens, um recuo de 0,4 ponto percentual para ambos em relação a 2024.
O grande destaque ocorreu na população idosa, onde a taxa feminina (13,7%), que historicamente era superior, passou a ser menor que a masculina (14,1%). Essa reversão histórica reflete os avanços na escolarização das mulheres ao longo das gerações.
Por região
As regiões Nordeste e Norte mantêm os percentuais mais elevados de analfabetismo – 10,6% e 5,7%, respectivamente – entre as pessoas com 15 anos ou mais. Já as menores taxas se concentram no Sudeste (2,3%) e no Sul (2,4%).
Os dados destacam que a desigualdade regional é ainda mais marcante na terceira idade: no Nordeste, 29,7% dos idosos são analfabetos, enquanto no Sudeste esse índice é de 6,8%.
Em contrapartida, o nível de instrução geral avançou. Em 2025, 57,4% dos brasileiros com 25 anos ou mais haviam concluído ao menos o ensino médio, e a parcela da população com pós-graduação (especialização, mestrado ou doutorado) mais que dobrou na série histórica, alcançando 6,2%.

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