Homem usava decisão do STF para camuflar rede de tráfico de drogas
O suspeito usava uma decisão do STF que reconhece a descriminalização do porte de 40 gramas de maconha
atualizado
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A Polícia Civil de Mato Grosso (PCMT) prendeu um homem que usava uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e documentos médicos falsos para blindar um esquema de tráfico. Ele foi detido nesta quinta-feira (16/4) no âmbito da Operação Supremo Engano a fim de desarticular um grupo que cultiva e transporta drogas.
Na ação, três mandados de prisão preventiva e quatro mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Cuiabá e Várzea Grande. Durante a operação, documentos foram apreendidos, e um dos suspeitos detidos tentou contestar a prisão dele e de seus colegas.
De acordo com PCMT, para “blindar” o grupo criminoso, o acusado usava uma decisão do STF que reconhece a descriminalização do porte de até 40 gramas de maconha para uso pessoal.
Antes da prisão, para provocar a polícia, o investigado publicou na sua rede social que fumaria a droga em frente à delegacia e usaria a decisão da Justiça como “escudo”.
No entanto, após o avanço das investigações, os agentes constataram que o suspeito usava drogas para além do uso pessoal, o que configura tráfico.
Segundo a polícia, o homem faz parte de uma estrutura criminosa voltada ao cultivo, “distribuição e intermediação de entorpecentes”, com foco em Cannabis de alta concentração de THC.
Documento médico para usar cannabis era falso
Ainda segundo a apuração, o suspeito portava um documento médico que simulava uma condição de doença que autoriza o uso medicinal de Cannabis.
No entanto, o delegado da PCMT Eduardo Ribeiro explicou, que apesar de a decisão do STF ser legítima, os documentos eram fraudulentos.
“Em relação à tentativa de obtenção fraudulenta de autorização para uso medicinal de Cannabis, a estratégia consistia em adquirir produto legalizado, manter a embalagem original e substituir o conteúdo por droga cultivada ilegalmente, com o intuito de circular livremente e ludibriar eventual fiscalização policial — mais um ardil elaborado para se ocultar sob aparente legalidade”, explicou o delegado.
O restante das investigações revelou a atuação de outros suspeitos no esquema de tráfico, incluindo os responsáveis pela venda da maconha e pelo recebimento dos valores. A apuração continua para prender outros investigados.
