Homem morre na UTI e família só é comunicada 16 horas depois
Paciente morreu às 20h de sábado, mas familiares só receberam ligação do hospital às 11h45 de domingo, a poucas horas da visita
atualizado
Compartilhar notícia

Um intervalo de quase 16 horas separou a morte de Aurimar Santana Rosa, de 63 anos, do momento em que a família foi avisada pelo Hospital Estadual de Urgências de Goiás (Hugo), localizado em Goiânia. Internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da unidade, os parentes aguardavam a próxima visita quando foram comunicados da morte do parente.
“Show de horrores. Meu pai foi tratado quase como indigente”, desabafou o filho de Aurimar, Cleomar Rosa, de 38 anos, ao Metrópoles. A Secretaria de Saúde do estado disse que está apurando o atraso na comunicação e que “tomará todas as medidas necessárias para que situações como esta não voltem a ocorrer” (veja nota completa ao fim da matéria).
Cronologia dos fatos
Aurimar deu entrada no hospital no dia 26 de março, levado pelo Corpo de Bombeiros após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico, em estado grave. Segundo a família, o quadro clínico piorou ao longo dos 10 dias de internação.
Na tarde do último sábado (4/4), Cleomar e a mãe, Marinilde Rosa, de 63 anos, visitaram o paciente na UTI por volta das 15h. Na ocasião, a equipe médica informou que o estado de saúde de Aurimar havia se agravado. Outros familiares e amigos do paciente também acompanharam a situação.
Apesar disso, a família mantinha a expectativa da próxima visita, marcada para as 14h30 de domingo (5/4).

Por volta de 11h45, já se organizando para ir ao hospital encontrar o marido, Marinilde recebeu uma ligação da unidade de saúde dizendo que os parentes deveriam comparecer ao local.
Segundo o filho, o óbito foi confirmado às 20h de sábado, cerca de cinco horas após o encontro. O hospital, no entanto, só ligou para a família às 11h45 de domingo.
“O momento de esperança se transformou em revolta. Meu marido havia morrido há horas e nós não sabíamos”, relembra Marinilde.
“Médico ficou estarrecido”
De acordo com Cleomar, a família foi ao hospital assim que recebeu a ligação. Ainda assim, o atendimento só ocorreu cerca de uma hora depois.
“Na recepção, mesmo informando que estávamos ali porque o hospital havia pedido, a atendente mandou aguardar do lado de fora, dizendo que não havia assistente social no momento. Foi rude, grosseira”, relata.
Já no consultório, segundo ele, o médico demonstrou surpresa.
“[Ele] ficou estarrecido, disse que nos esperou a noite toda, até de madrugada, e que não entendeu por que demoramos para aparecer. Avisamos que só soubemos naquela manhã.”
Até o momento, a família afirma não ter recebido explicações sobre a demora na comunicação da morte.
Ouvidoria do hospital tenta resolver situação
No início da noite dessa terça (7/4), o Hugo entrou em contato com a família para agendar uma reunião. Devem participar a diretora do hospital, Fabiana Rolla, o gerente médico de qualidade e segurança, Flávio Araújo, o gerente médico, Patrick Araujo, e a gerente de enfermagem, Erika Kumoto.
O objetivo é discutir as medidas a serem adotadas diante da demora na comunicação do óbito. O encontro está marcado para esta quarta-feira (8/4).
O que diz a Secretaria de Saúde
Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) lamentou a morte de Aurimar e disse que está apurando com rigor o atraso na comunicação do óbito à família. Segundo o texto, o hospital segue protocolos assistenciais e que em casos de mortes da UTI “sem acompanhante, a equipe segue protocolo de comunicação imediata aos familiares, registro oficial do óbito e atendimento humanizado, oferecendo suporte emocional e esclarecimentos”.
Veja a nota completa
“A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) lamenta o falecimento do paciente Aurimar Santana Rosa, ocorrido no Hospital Estadual de Urgências de Goiás Dr. Valdemiro Cruz (Hugo), no dia 4 de abril, e manifesta solidariedade à família.
A direção do Hugo está apurando com rigor o atraso na comunicação do óbito à família e tomará todas as medidas necessárias para que situações como esta não voltem a ocorrer. O hospital opera com equipes completas em todos os turnos, seguindo protocolos de atendimento, segurança e humanização. O revezamento com unidades de referência, como o Hugol, não compromete a logística hospitalar, que segue fluxos assistenciais definidos pela SES-GO.
A política de acompanhantes em UTI respeita normas de segurança e protocolos assistenciais, incluindo critérios do Estatuto do Idoso, sempre priorizando a segurança do paciente e da equipe. A SES-GO também determinou a apuração das alegações envolvendo servidores citados pela família, garantindo que qualquer conduta inadequada seja responsabilizada conforme as normas institucionais.
Nos casos de óbito em UTI sem acompanhante, a equipe segue protocolo de comunicação imediata aos familiares, registro oficial do óbito e atendimento humanizado, oferecendo suporte emocional e esclarecimentos. A SES-GO reforça que todos os hospitais da rede estadual recebem orientação contínua para cumprimento rigoroso desses protocolos e que os procedimentos internos estão sendo revisados para reforçar a qualidade do atendimento.
A Secretaria reafirma seu compromisso com a humanização, a transparência e a responsabilidade, assegurando que todos os casos sejam tratados com seriedade, respeito e atenção às famílias.
Secretaria de Estado da Saúde- Governo de Goiás”
