
Manoela AlcântaraColunas

Mortes em UTI: famílias passam a atuar na acusação contra técnicos
Decisão autoriza filhos e mãe de vítimas a atuar como assistentes de acusação ao lado do Ministério Público
atualizado
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O Tribunal do Júri de Taguatinga, no Distrito Federal, autorizou a entrada de familiares das vítimas como assistentes de acusação no processo contra técnicos de enfermagem acusados de matar pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta.
Ao todo, passarão a compor a acusação quatro familiares da professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos, além da mãe do servidor público Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33.
Os pedidos foram apresentados e deferidos em decisão sigilosa pelo juiz Evandro Moreira da Silva, no âmbito da ação penal em que figuram como réus os técnicos Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva. Com isso, os familiares passam a atuar ao lado do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).
De acordo com as investigações da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), o trio teria injetado altas doses de medicamentos que provocaram parada cardíaca em ao menos três pacientes.
Além de Miranilde e Marcos Raymundo, João Clemente Pereira, de 63 anos, também morreu na UTI do hospital durante plantões dos técnicos investigados.
Conforme mostrou o Metrópoles, Camila e Marcos foram denunciados por três homicídios, enquanto Amanda Rodrigues responderá por dois. Eles também são acusados de tentativas de homicídio.
Caso sejam condenados, as penas podem variar de 12 a 30 anos de prisão por cada morte de paciente.
A coluna mostrou, no mês passado, que, devido à repercussão do caso, a técnica Marcela foi transferida para outra ala da Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, após sofrer ameaças de morte.
Caso sejam condenados, as penas podem variar de 12 a 30 anos de prisão por cada morte de paciente.
Entenda o caso
- O caso foi denunciado à polícia pelo próprio Hospital Anchieta, após observar circunstâncias atípicas relacionadas aos três pacientes supracitados. “O hospital instaurou investigação, por iniciativa própria”, afirmou a instituição em nota.
- A primeira fase da Operação Anúbis foi deflagrada pela PCDF na manhã de 11 de janeiro.
- Na ocasião, dois investigados foram presos temporariamente por ordem judicial. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços localizados em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas, no Entorno do DF.
- Durante as diligências, os policiais recolheram materiais considerados relevantes para a apuração, que passaram a ser analisados pelos investigadores.
Inquérito
O Metrópoles mostrou que a Polícia Civil investiga outras seis mortes no hospital. O delegado Raphael Seixas afirmou, na quarta-feira (25/3), que todos os óbitos teriam sido causados por paradas cardiorrespiratórias.
Agora, a apuração busca esclarecer se elas foram provocadas por substâncias injetadas de forma proposital pelos três técnicos de enfermagem presos, suspeitos de tirar a vida de pacientes deliberadamente.










