Heleno não incentivou militares a golpe, diz defesa: “Não existiu”

Em entrevista ao Metrópoles, advogado de general reiterou que cliente não tem nenhum envolvimento com a suposta trama golpista

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
General Augusto Heleno durante primeira Turma 1 do Supremo Tribunal Federal STF comecou a interrogar os reus do nucleo 1 por participacao na suposta trama golpista - Metrópoles 3
1 de 1 General Augusto Heleno durante primeira Turma 1 do Supremo Tribunal Federal STF comecou a interrogar os reus do nucleo 1 por participacao na suposta trama golpista - Metrópoles 3 - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

O advogado Matheus Milanez, que defende o general e ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI) Augusto Heleno, negou, nesta sexta-feira (5/9), que o réu tenha incentivado militares a dar um golpe de Estado após as eleições de 2022. Segundo Milanez, Heleno não tem nenhum envolvimento com a suposta trama golpista que está sendo julgada no Supremo Tribunal Federal (STF).

“Em nenhum momento o general ficou sabendo de qualquer coisa, se é que havia alguma coisa. Em nenhum momento o general teve acesso a qualquer tipo de minuta, nenhuma foi encontrada com ele, nenhuma foi falada com ele”, garantiu Milanez, em entrevista ao programa Acorda Metrópoles.

Milanez destacou que o Ministério Público coloca Heleno como um suposto “articulador jurídico” do golpe, mas, segundo ele, não há provas que comprovem essa atuação.

Confira a entrevista:

O advogado relembrou que as testemunhas de acusação na ação penal que apura suposta trama golpista — general Freire Gomes, ex-comandante do Exército e brigadeiro Baptista Júnior, ex-comandante da Aeronáutica — negaram a participação de Heleno em reuniões onde foi discutida uma minuta golpista.

“Com a fama que ele tem dentro das Forças Armadas, ele é um sujeito de destaque, de honra, de modelo. O general Heleno não falou com nenhum militar? Ele faz parte do núcleo crucial e o grupo que ele tem mais influência, mais poder dissuasório, podemos assim dizer, que seriam as Forças Armadas, ele não fala com ninguém?”, questionou o defensor.

Milanez frisou que o ex-ministro não tinha conhecimento de qualquer tentativa de reverter a derrota do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2022.

“Isso, para nós, não existiu, essa questão de trama golpista nem nada. Partindo do pressuposto que existiu alguma coisa, o general Heleno não participou”, afirmou o advogado.

Defesa tenta desvincular Heleno de Bolsonaro

Na quarta-feira (3/9), durante o julgamento do réu na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), Milanez usou o tempo de manifestação da defesa para tentar desvincular Heleno de Jair Bolsonaro.

O jurista usou boa parte do tempo da sua sustentação oral para refutar as acusações da Procuradoria-Geral da República de que Heleno teria “politizado” a GSI durante a sua gestão. O defensor trouxe a fala de uma testemunha que destaca a ligação do general com Bolsonaro, mas negou interferência do ex-presidente no GSI.

A defesa também traz fala do general Freire Gomes, durante audiências de testumunhas do núcleo 1. “Nenhum militar foi procurado pelo general Heleno. Nenhum militar foi pressionado. Nenhum. E que provas traz a defesa? As que estão aqui. Que provas traz o Ministério Público? Nenhuma”, reforçou o jurista.

O advogado argumentou também que a partir do momento que Bolsonaro iniciou uma aproximação com partidos do chamado “centrão”, houve um afastamento da cúpula do poder. “Claro que não existia um afastamento 100%. Mas houve essa diminuição. Ele assumiu publicamente reservas”, frisou.

No início da sua sustentação oral, Matheus Moayer Milanez criticou o ministro Alexandre de Moraes, acusando-o de assumir um papel investigativo na Ação Penal 2668, que apura uma suposta trama golpista. O jurista afirmou que, durante as audiências de testemunhas do núcleo 1, houve um indagação de Moraes, no qual a defesa de Heleno enquandra como uma ação investigativa do magistrado.

O advogado também trouxe aos ministros da Primeira Turma a comparação da quantidade de perguntas feitas pelo Moraes e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, durante os interrogatórios do núcleo 1. Ele destaca que durante todo o processo, o número de questionamentos pelo ministro do STF foi muito maior que a PGR, sendo 302 perguntas contra 59, respectivamente.

Veja como foi o segundo dia de julgamento de Bolsonaro e mais 7 réus no STF:

 

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?