Defesa tenta desvincular Heleno de Bolsonaro: “Afastamento comprovado”

A Primeira Turma do STF retoma o julgamento que analisa suposta trama golpista ligada a Bolsonaro e outros sete réus

atualizado

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Plenário - Segundo dia do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de mais sete aliados, na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) - Metrópoles
1 de 1 Plenário - Segundo dia do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de mais sete aliados, na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) - Metrópoles - Foto: <p>HUGO BARRETO/METRÓPOLES<br /> @hugobarretophoto</p><div class="m-banner-wrap m-banner-rectangle m-publicity-content-middle"><div id="div-gpt-ad-geral-quadrado-1"></div></div> </p>

O advogado do general e ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), Augusto Heleno usou, na manhã desta quarta-feira (3/9), o palanque no julgamento na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), para tentar desvincular o cliente do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“General Heleno foi uma figura política importante, tanto pra eleição quanto para o governo. Mas este afastamento é comprovado. Este afastamento da cúpula decisória”, argumentou o defensor.

Veja como foi o segundo dia de julgamento de Bolsonaro e mais 7 réus no STF:

O jurista usou boa parte do tempo da sua sustentação oral para refutar as acusações da Procuradoria-Geral da República de que Heleno teria “politizado” a GSI durante a sua gestão. O defensor trouxe a fala de uma testemunha que destaca a ligação do general com Bolsonaro, mas negou interferência do ex-presidente no GSI.

“Então, eu concluo dizendo que o GS/ não foi politizado, mas o general Heleno, realmente, ele desempenhou esse papel de político pela proximidade com o presidente, inclusive defendendo o presidente em entrevistas, nas redes sociais. Mas o GSl, como um todo, não foi politizado”, diz a testemunha em trecho lido pelo advogado de Heleno.

A defesa também traz fala do general Freire Gomes, durante audiências de testumunhas do núcleo 1. “Nenhum militar foi procurado pelo general Heleno. Nenhum militar foi pressionado. Nenhum. E que provas traz a defesa? As que estão aqui. Que provas traz o Ministério Público? Nenhuma”, reforçou o jurista.

O advogado argumentou também que a partir do momento que Bolsonaro iniciou uma aproximação com partidos do chamado “centrão”, houve um afastamento da cúpula do poder. “Claro que não existia um afastamento 100%. Mas houve essa diminuição. Ele assumiu publicamente reservas”, frisou.

No início da sua sustentação oral, Matheus Moayer Milanez criticou o ministro Alexandre de Moraes, acusando-o de assumir um papel investigativo na Ação Penal 2668, que apura uma suposta trama golpista. O jurista afirmou que, durante as audiências de testemunhas do núcleo 1, houve um indagação de Moraes, no qual a defesa de Heleno enquandra como uma ação investigativa do magistrado.

“O sr. Waldo Manuel de Oliveira Aires foi indagado pelo ministro relator a respeito de uma publicação dele nas redes sociais que não consta dos autos. Ou seja, nós temos uma postura ativa do ministro relator de investigar testemunhas. Por que o Ministério Público não fez isso? Qual o papel do juiz julgador ou juiz-inquisidor?”, questionou o defensor.


Confira os réus do núcleo crucial

  • Alexandre Ramagem: ex-diretor da Abin, ele é acusado pela PGR de atuar na disseminação de notícias falsas sobre fraude nas eleições.
  • Almir Garnier Santos: ex-comandante da Marinha, ele teria apoiado a tentativa de golpe em reunião com comandantes das Forças Armadas, na qual o então ministro da Defesa apresentou minuta de decreto golpista. Segundo a PGR, o almirante teria colocado tropas da Marinha à disposição.
  • Anderson Torres: ex-ministro da Justiça, ele é acusado de assessorar juridicamente Bolsonaro na execução do plano golpista. Um dos principais indícios é a minuta do golpe encontrada na casa de Torres, em janeiro de 2023.
  • Augusto Heleno: ex-ministro do GSI, o general participou de uma live que, segundo a denúncia, propagava notícias falsas sobre o sistema eleitoral. A PF também localizou uma agenda com anotações sobre o planejamento para descredibilizar as urnas eletrônicas.
  • Jair Bolsonaro: ex-presidente da República, ele é apontado como líder da trama golpista. A PGR sustenta que Bolsonaro comandou o plano para se manter no poder após ser derrotado nas eleições e, por isso, responde à qualificadora de liderar o grupo.
  • Mauro Cid: ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e delator do caso. Segundo a PGR, ele participou de reuniões sobre o golpe e trocou mensagens com conteúdo relacionado ao planejamento da ação.
  • Paulo Sérgio Nogueira: ex-ministro da Defesa, ele teria apresentado aos comandantes militares decreto de estado de defesa, redigido por Bolsonaro. O texto previa a criação de “Comissão de Regularidade Eleitoral” e buscava anular o resultado das eleições.
  • Walter Souza Braga Netto: é o único réu preso entre os oito acusados do núcleo central. Ex-ministro e general da reserva, foi detido em dezembro do ano passado por suspeita de obstruir as investigações. Segundo a delação de Cid, Braga Netto teria entregado dinheiro em uma sacola de vinho para financiar acampamentos e ações que incluíam um plano para matar o ministro Alexandre de Moraes.

 

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