Guerra: descontos em ônibus de viagem devem reduzir, diz associação
Empresas do setor devem diminuir descontos e trabalhar cada vez mais com a "tarifa de balcão" após a alta do diesel

A alta no preço do petróleo, decorrente da guerra no Oriente Médio, deve fazer os passageiros pagarem mais caro no preço médio das passagens de ônibus de viagem. A previsão é da Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati).
“No momento, a instituição projeta uma redução nos descontos das passagens, especialmente aqueles concedidos nas compras antecipadas. Ou seja, no curto prazo, não deve haver aumento na ‘tarifa balcão'”.
Diesel nas alturas
- O aumento no preço do diesel no Brasil tem relação com a guerra no Oriente Médio.
- Além do fechamento do Estreito de Ormuz – importante rota de transporte de produtos, inclusive petróleo – o conflito tem resultado em destruição da infraestrutura de petróleo na região.
- Passam pelo canal de Ormuz de 20% a 25% de todo o petróleo consumido no mundo.
- Na tarde desta segunda-feira (23/3), o preço do petróleo tipo Brent, que é referência no mercado internacional, estava em US$ 95,29. Antes do conflito o item flutuava na casa dos US$ 70.
“A gente está começando a chegar num patamar que vai ter de repassar (aumento), embora seja muito complicado falar em repassar custo para demanda, a gente tem um estresse aí, já está bastante estressada essa relação do consumidor com os custos do transporte”, afirma a Leticia Pineschi, diretora-geral da Abrati.
A diretora-geral da instituição afirma que a percepção é que os custos com diesel subiram, em média no país, na casa dos 20% e que a alta tem sido absorvida com redução na margem e revisão nos investimentos para 2026.
“Nesse momento nós não estamos falando em aumentar o preço básico, a tarifa balcão. Não estamos ainda falando, mas estamos muito próximos desse limite”, alerta Pineschi.
No momento, a Confederação Nacional dos Transportes (CNT) faz um planejamento para negociar as demandas mais urgentes do setor junto ao governo federal.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesGoverno tenta frear alta
Até o momento, o governo federal tomou duas medidas principais para conter a alta nos preços do diesel. O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), zerou, no dia 12/3 as alíquotas do PIS e Cofins para o diesel. A medida foi oficializada por meio da assinatura do decreto número 12.875/2026.
Naquele mesmo dia, houve o anúncio do pagamento de uma subvenção aos produtores da ordem de R$ 0,32 por litro. Junto com a primeira medida, a expectativa era a redução de R$ 0,64 no preço por litro.
O governo federal pediu aos estados que zerem, temporariamente, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para importação do diesel até 31 de maio. Em contrapartida, a União se propõe a bancar metade da renúncia, que é estimada no total de R$ 3 bilhões por mês.

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Ver todasA medida ainda está em negociação e será pauta de uma reunião marcada para a próxima sexta-feira (27/3), em São Paulo. Cerca de 30% do diesel consumido aqui é importado.
A Petrobras
Inicialmente, a Petrobras resistiu em reajustar os preços do diesel. No dia 6 de março deste mês, a presente da companhia Magda Chambriard, afirmou que a estatal continuaria acompanhando os preços do produto no mercado internacional e seguindo a política de preços, que visa a não repassar ao consumidor volatilidades mais expressivas e temporárias.
No entanto, não houve saída. Exatamente uma semana depois, no dia 13 de março, a Petrobras anunciou um reajuste no preço do diesel para as distribuidoras no valor de R$ 0,38 por litro. A vigência começou no dia seguinte.











