Guarda morta por PRF: Vitória estava há 652 dias sem feminicídios
Segundo o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, tantos dias sem feminicídios na cidade são fruto do trabalho da comandante Dayse Barbosa
atualizado
Compartilhar notícia

Após o assassinato da comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, o prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) disse, nesta segunda-feira (23/3), que não aceitará mais casos de violência contra a mulher na cidade do Espírito Santo.
Em coletiva de imprensa no início desta tarde, ele enalteceu o trabalho de Dayse na corporação e na proteção das mulheres. Segundo Pazolini, a capital capixaba completaria, hoje, 653 dias sem feminicídios.
“E muito disso [desses dias] é fruto do trabalho da Dayse. A comandante, de fato, demonstrava que jamais compactuaríamos com qualquer tipo de violência contra a mulher, seja financeira, seja física, seja psicológica”, ressaltou. “Ela nos deixa em terra, mas o seu legado permanecerá”, acrescentou.
Dayse Barbosa foi morta com cinco tiros na cabeça, enquanto dormia, pelo namorado, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza. Ele tirou a própria vida após o crime.
O prefeito disse que está “consternado” e “abalado”. Ele afirmou que o estado prestará todo o apoio necessário à filha da vítima, de 8 anos, e ao restante da família.
“Temos a filha de Dayse, uma criança, que também vamos acolher. Vamos oferecer todo o atendimento psicológico, físico, para que ela possa também ter um futuro garantido, assim como o pai e todos os familiares”, destacou.
“Nós nunca aceitaremos. Fica aqui o nosso repúdio a essa atitude, e temos fortalecido a cada dia as nossas ações, nas escolas, nas feiras, nas áreas de circulação de pessoas, desde a educação até os atos de punição”, concluiu Pazolini.
Feminicídio
O crime ocorreu por volta da 1h, na casa da vítima, no bairro Caratoíra. A mulher foi baleada cinco vezes na cabeça.
Dayse foi a primeira mulher a ocupar o cargo de comandante da Guarda Municipal de Vitória. Era reconhecida pela atuação firme na defesa dos direitos femininos e na promoção da segurança pública.
A titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Mulher, delegada Raffaella Aguiar, disse que o PRF não aceitava o fim do relacionamento. Ela o descreveu como um homem “ciumento” e “controlador”.
Também há indícios de premeditação, pois Diego usou uma escada e levou uma bolsa com ferramentas para arrombar a casa da vítima e cometer o crime.
“Ele levou ferramentas para romper a porta, levou uma escada. Ele arrombou a porta da casa dela. Então, nisso tudo você vê um planejamento para que ele pudesse matá-la”, disse Aguiar.










