PRF que matou comandante era “ciumento” e “controlador”, diz delegada
Delegada Raffaella Aguiar afirmou que guarda municipal nunca registrou ocorrência contra o namorado e que há indícios de crime planejado
atualizado
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A titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Mulher, a delegada Raffaella Aguiar, disse, nesta segunda-feira (23/3), que o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, suspeito de assasinar a comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, não aceitava o fim do relacionamento.
A investigadora o descreveu como um homem “ciumento” e “controlador”.
Dayse foi morta com cinco tiros no rosto nesta madrugada. O PRF tirou a própria vida após o crime.
A delegada afirmou que a vítima nunca registrou boletim de ocorrência contra Diego nem contou as situações aos colegas da corporação. No entanto, após a morte, a polícia recebeu relatos sobre a relação conturbada dos dois.
“As primeiras informações são de que ele não aceitava o fim do relacionamento. Não tinha nada formalizado. Agora, depois que aconteceu o crime, começaram as pessoas a comentar que ele era ciumento, possessivo, extremamente controlador”, disse Raffaela Aguiar.
“É importante para que outras mulheres percebam que a violência não começa naquele momento do disparo que ceifou a vida dela. A violência começa naquele primeiro controle”, acrescentou.
O pai de Dyse, que estava no local na hora do crime, também confirmou à polícia que o relacionamento era abusivo e marcado por discussões.
Segundo a delegada, os vestígios colhidos na cena do crime sugerem que o ato foi premeditado. O PRF usou uma escada e levou ferramentas para invadir a casa da namorada.
“Ele levou ferramentas para romper a porta, levou uma escada. Ele arrombou a porta da casa dela. Então, nisso tudo você vê um planejamento para que ele pudesse matá-la”, disse.
Feminicídio
Dayse Barbosa foi morta pelo namorado, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, na madrugada desta segunda. Em seguida, ele tirou a própria vida.
O crime ocorreu por volta da 1h, na casa da vítima, no bairro Caratoíra. A mulher foi baleada cinco vezes na cabeça.
Em entrevista na televisão, o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), disse que Diego usou uma escada para invadir a residência da namorada e quebrou a porta para entrar no quarto dela. O pai dela estava no local e ouviu os disparos que atingiram o rosto de Dayse.
Ela foi a primeira mulher a ocupar o cargo de comandante da Guarda Municipal de Vitória. Dayse Barbosa era reconhecida pela atuação firme na defesa dos direitos femininos e na promoção da segurança pública.








