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Brasil

Grupos antiaborto pressionaram família de criança grávida após estupro

Procedimento foi iniciado em Recife apesar de protestos na porta do hospital. Extremistas agora miram médico responsável pelo atendimento

16/08/2020 23:24, atualizado 17/08/2020 06:20
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FILIPE JORDãO/JC IMAGEM/ESTADÃO CONTEÚDO
Grupos antiaborto pressionaram família de criança grávida após estupro

A criança de 10 anos que sofria abusos de um tio em São Mateus (ES), ficou grávida e teve autorização da Justiça para interromper a gestação teve o procedimento médico iniciado na tarde deste domingo (16/8) em Recife (PE), após longa jornada médica e jurídica.

Além de a equipe médica do primeiro hospital para onde a menina foi levada, no Espírito Santo, ter se negado a fazer o procedimento, no sábado (15/8), sua família vinha sendo pressionada por grupos religiosos evangélicos e católicos a não permitir o aborto.

O programa Fantástico, da TV Globo, revelou que a Promotoria da Infância e da Juventude de São Mateus decidiu investigar se pessoas ligadas a grupos políticos foram inclusive até a casa da família para pressionar a avó a não autorizar o procedimento.

O programa mostrou um áudio que teria sido enviado para a senhora com o seguinte conteúdo: “E essa equipe que eu tô colocando à disposição da senhora é uma equipe de especialistas, médicos, ginecologistas, médicos que sabem lidar com esse tipo de situação. E tão dando toda a garantia que fazer o que eles querem fazer agora é mais risco do que levar a gestação à frente e fazer uma cesárea com anestesia, com tudo correto, entendeu?”.

O autor não é identificado.

Mais cedo, a extremista Sara”Winter” Giromini, que vive em Brasília e cumpre medidas restritivas impostas pelo STF, se envolveu no caso, incentivando manifestantes a irem até a unidade de saúde em Recife onde a menina foi atendida. Um grupo chegou a cercar o local, na tentativa de impedir o procedimento. Winter também expôs o nome e outros dados da criança, o que é proibido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.

Veja vídeos publicados nas redes sociais dos protestos em frente ao hospital no Recife na tarde deste domingo:

O caso

A menina está sob a guarda do Estado desde o último dia 8 de agosto, quando foi levada a uma consulta e teve a gravidez constatada. O tio de 33 anos acusado de abusar da criança durante quatro anos está foragido.

Na sexta (14/8), a Justiça autorizou a interrupção da gravidez, que está ocorrendo em Pernambuco, apesar dos protestos e confusão na porta do hospital.

Ainda neste domingo, o corregedor Nacional de Justiça, Humberto Martins, deu 48 horas para que o Tribunal de Justiça do Espírito Santo preste informações sobre as providências tomadas no caso.

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