Governo reage à classificação dos EUA de CV e PCC como terroristas
Em nota oficial, Secretaria de Comunicação do governo Lula afirma que medida “enfraquece o combate aos criminosos” e afeta áreas internas
atualizado
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O governo brasileiro condenou nesta sexta-feira (29/5) a ofensiva dos Estados Unidos que classifica organizações criminosas brasileiras como terroristas. Em nota oficial, a Secretária de Comunicação do governo avalia que a medida “enfraquece o combate aos criminosos” e afeta áreas internas do país.
O governo Lula também relacionou o enquadramento anunciado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos à atuação da família Bolsonaro nos Estados Unidos. Em nota, o órgão chamou de “deplorável” que membros da família vão ao país para “defender intervenção estrangeira no Brasil“, como ocorreu com o tarifaço anunciado contra o Brasil no último ano.
“A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros”, diz trecho da nota.
Ainda de acordo com a nota, medidas unilaterais e não negociadas, como a anunciada pelo Departamento de Estado nos Estados Unidos nessa quinta-feira (29/5), podem “enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime”.
“Podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o PIX, que incomodam interesses estrangeiros. Em resumo, trata-se de possível retrocesso no combate ao crime, risco à vida das pessoas e prejuízos econômicos ao país. A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos”, diz outro trecho da nota divulgada pela Secom.
A nota reafirma ainda que a colaboração internacional “será bem-vinda“, mas que não será aceito o “uso de medidas arbitrárias vindas do estrangeiro como pretexto para atacar a nossa soberania e a nossa economia”.
Atuação de Flávio Bolsonaro
A reação do governo brasileiro ocorre um dia após o Departamento de Estado dos Estados Unidos, que lida com temas internacionais da Casa Branca, determinar que vai classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como terroristas.
O anúncio do órgão norte-americano ocorreu depois que o filho mais velho de Jair Bolsonaro (PL), o senador Flávio Bolsonaro (PL), fazer uma visita aos Estados Unidos. Durante a passagem de dois dias por Washington, o parlamentar se reuniu com o presidente Donald Trump, o vice-presidente do país JD Vance, e com o Secretário de Estado, Marco Rubio.
Em declaração, Flávio afirmou que pediu, expressamente, que os Estados Unidos classificasse as duas organizações como terroristas. “Eu fui exatamente fazer esse pedido expresso a ele para que ele declare organizações CV e PCC como organizações terroristas, sim, que é o que eles são”, declarou Flávio.
O governo brasileiro é contra o enquadramento. A avaliação é que a medida não avança no combate à essas organizações além das medidas já implementadas, além de abrir precedentes perigosos que colocar em risco a soberania brasileira.
Riscos para o Brasil
Entre os riscos citados pela Secom, o governo brasileiro classifica o enfraquecimento n combate aos criminosos, além de colocar em risco “pessoas que nada têm a ver com o crime”.
A nota cita ainda o risco de redução da “capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias”. O temor é apontado por analistas que avaliam que o governo dos Estados Unidos pode impor sigilo em investigações relacionadas ao Brasil, dificultado o compartilhamento de informações entre os dois países e restringindo a atuação do Brasil em território nacional.
A nota também cita o risco ao Pix, plataforma de pagamento instantâneo do Banco Central e que já foi alvo de críticas por parte da gestão Donald Trump. A plataforma, inclusive, está no radar de uma investigação aberta pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
Em justificativa, o órgão norte-americano afirmou que o meio de pagamento coloca em risco o sistema de pagamento internacional. Por outro lado, analistas enxergam viés protecionista na investigação.





