Governistas chamam ações da oposição no Congresso de “chantagem”
Líder do PT diz que ligou para presidente da Câmara, que chamou obstrução de “sequestro” do Congresso
atualizado
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O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), classificou nesta quarta-feira (5/8) como “chantagem” a obstrução da oposição no Congresso em razão da prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), decretada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
“O que está acontecendo hoje aqui no Parlamento é inaceitável. Ninguém pode parar pela força os trabalhos legislativos. É uma continuidade desse processo de golpe. É mais um ataque às instituições. É uma chantagem contra o país”, disse Lindbergh.
O congressista estava acompanhado de outros líderes partidários da base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O petista afirmou que telefonou para o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para tratar da obstrução. Segundo ele, Motta manifestou “contrariedade” e usou a palavra “sequestro” para se referir ao ato.
Entre as ações, aliados de Bolsonaro ocuparam a mesa da presidência da Câmara, no plenário, e usaram fitas na boca como forma de protesto contra uma suposta censura do Judiciário brasileiro.
Lindbergh afirmou que os deputados impediram colegas governistas de discursarem no plenário.
Prisão preventiva
Moraes decretou a prisão domiciliar de Bolsonaro na segunda-feira (5/8) por considerar que ele desrespeitou medidas cautelares que proibiam o uso de redes sociais, direta ou indiretamente.
O ex-presidente já estava submetido, por ordem de Moraes, a uma série de medidas cautelares. As medidas iniciais incluíam a proibição de ausentar-se do país, com uso de tornozeleira eletrônica e recolhimento domiciliar no período noturno (das 19h às 6h) e nos fins de semana.
Além disso, havia a proibição de aproximação e acesso a sedes de embaixadas e consulados, de manter contatos com embaixadores ou autoridades estrangeiras, e com demais réus e investigados. Crucialmente, Bolsonaro estava proibido de utilizar redes sociais, diretamente ou por intermédio de terceiros.
A proibição de uso de redes sociais por Moraes deixava claro que não seriam permitidas transmissões, retransmissões, veiculação de áudios, vídeos ou transcrições de entrevistas em qualquer plataforma de redes sociais, nem o uso desses meios para burlar a medida, sob pena de imediata revogação e decretação da prisão.
Na decisão desta segunda, Moraes argumenta que houve o descumprimento de medidas cautelares que haviam sido estipuladas anteriormente. O estopim para a domiciliar foi a participação de Bolsonaro, via telefone, em uma manifestação bolsonarista realizada no último domingo (3/8) no Rio de Janeiro. Participação essa que foi republicada pelos filhos Carlos e Flávio Bolsonaro nas redes sociais.
