GO: Justiça determina prisão de sete PMs por mortes na Chapada

A prisão preventiva de sete policiais se deu pelas mortes de quatro pessoas em 20/1 em fazenda com plantação de maconha

atualizado

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Diego Baravelli
homens são mortos em ação da PMGO na Chapada dos Veadeiros
1 de 1 homens são mortos em ação da PMGO na Chapada dos Veadeiros - Foto: Diego Baravelli

Goiânia – A Justiça de Goiás, por meio da Vara Criminal de Cavalcante, município na Chapada dos Veadeiros, determinou a prisão preventiva de sete policiais militares pela mortes de quatros pessoas em uma fazenda que continha uma plantação de maconha. O caso aconteceu no dia 20 de janeiro deste ano e as vítimas não possuíam antecedentes criminais.

Os presos são: sargento Aguimar Prado de Morais, sargento Mivaldo José Toledo, cabo Jean Roberto Carneiro dos Santos, soldado Welborney Kristiano Lopes dos Santos, cabo Luís César Mascarenhas Rodrigues, soldado Eustáquio Henrique do Nascimento e soldado Ítallo Vinícius Rodrigues de Almeida.

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"Chacina na chapada", diz faixa em manifestação na Vila de São Jorge
"São Jorge pede justiça! Por que mataram inocentes", diz faixa em protesto
Familiar de uma das vítimas mortas pela PM participou de protesto
Moradores pedem por justiça após mortes pela PM na Chapada
Niro e Chico morreram em ação policial na região da Chapada
Mulher ergue placa pedindo justiça após mortes na Chapada
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Mulher ergue placa pedindo justiça após mortes na Chapada

@viladesaojorgechapadaveadeiros
"Chacina na chapada", diz faixa em manifestação na Vila de São Jorge
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Familiar de uma das vítimas mortas pela PM participou de protesto
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Familiar de uma das vítimas mortas pela PM participou de protesto

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Moradores pedem por justiça após mortes pela PM na Chapada
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Niro e Chico morreram em ação policial na região da Chapada
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Niro e Chico morreram em ação policial na região da Chapada

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Chico é um dos mortos em ação da PM em plantação de maconha
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Chico é um dos mortos em ação da PM em plantação de maconha

Reprodução
Policiais disseram que apreenderam folhas secas e maconha prensada
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Policiais disseram que apreenderam folhas secas e maconha prensada

PMGO
Suposta plantação de maconha foi queimada
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Suposta plantação de maconha foi queimada

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Chico era de comunidade quilombola, foi morto em ação da PM
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Chico era de comunidade quilombola, foi morto em ação da PM

Diego Baravelli
Niro era um morador pioneiro da Vila de São Jorge
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Niro era um morador pioneiro da Vila de São Jorge

@DudaSegredo

Todos os policiais são lotados no 14º Batalhão da Polícia Militar do Estado de Goiás e são suspeitos das mortes de Alan Pereira Soares, Ozanir Batista da Silva, Antônio Fernandes da Cunha e Salviano Souza Conceição, ocorridas na zona rural de Cavalcante, sob a suspeita de tráfico de drogas.

Prisão preventiva

No pedido de prisão preventiva dos policiais militares, o Ministério Público de Goiás (MPGO) afirma que as medidas cautelares diversas da prisão não são suficientes para resguardar a ordem pública nem garantir a normal instrução criminal no caso. De acordo com o órgão, a narrativa dos fatos, apresentada pelos policiais militares no registro de atendimento integrado (RAI), não encontra amparo nas provas documentais, periciais e testemunhais que estão no inquérito policial (IP).

O inquérito policial está em fase final de conclusão pela Delegacia de Investigação de Homicídios, em Goiânia. Segundo o documento, a versão dos agentes é de que foram até o local do crime para apurar suposta denúncia de tráfico de drogas. Eles ainda informaram que encontraram grande quantidade de pés de maconha e que sete pessoas que lá estavam não obedeceram aos comandos de rendição e efetuaram disparos de arma de fogo. Os PMs teriam revidado, o que provocou a morte de quatro pessoas, enquanto outras três conseguiram fugir.

O inquérito apontou que os policiais militares informaram ter efetuado 58 disparos. Perícia realizada pela Superintendência de Polícia Técnico-Científica encontrou apenas 5 estojos de munição no local. Na área onde ocorreu a ação, de 4 metros quadrados, foram achadas 11 espécies de plantas, das quais 4 eram de maconha.

Na manifestação do MPGO, foi ressaltado que, conforme apurado em investigação própria, testemunhas foram procuradas por alguns dos militares envolvidos em nítida tentativa de intimidação e ameaça, o que caracterizaria a necessidade da prisão preventiva para garantir a normal instrução criminal, bem como para resguardar a integridade física e psicológica das testemunhas.

Identidade das vítimas

Dos quatro mortos na operação policial na Chapada, dois eram da vila São Jorge, um de uma comunidade quilombola kalunga e um de Colinas do Sul. Nenhum deles tinha antecedentes criminais.

Alan Pereira Soares, de 27 anos, morava em Colinas. Tinha uma namorada, que foi uma das testemunhas da ação da polícia e estava grávida. Ela conseguiu fugir do local. Alan teria tido uma desavença com um dos policiais que participaram da operação, segundo amigos.

Antônio da Cunha dos Santos, de 35 anos, era de uma comunidade quilombola. Ele era conhecido como Chico. Gostava de jardinagem e conhecia plantas medicinais.

Ozanir Batista da Silva, de 46 anos, era de uma família pioneira em São Jorge. Era conhecido como Niro ou Jacaré. Costumava fazer pequenos bicos e já teria tido problemas com álcool. Ele e Chico seriam vizinhos da fazenda com a plantação de maconha.

Salviano Souza Conceição, de 63 anos, o mais velho entre os mortos na ação policial. Seria o dono da plantação. Era muito conhecido por moradores de São Jorge, de onde era. Tinha o comportamento pacato e tranquilo, segundo amigos.

Manifestações

Familiares e amigos das vítimas cobraram providências e afirmam que a ação policial promoveu uma verdadeira chacina e que os mortos não tiveram sequer chance de defesa. Em 23/1, moradores de São Jorge fizeram uma passeata exigindo apuração do caso. O clima era de revolta (veja vídeo abaixo).

“Matou porque quis”

Uma testemunha da operação policial relatou em áudio que não houve reação por parte das vítimas no momento da abordagem. A esposa de uma das vítimas, que está grávida, estava na fazenda no momento da operação policial e contou o que presenciou.

“Falaram para os meninos deitar. Os meninos deitaram. Falaram que os meninos correram para o mato, mas os meninos não correram. Em momento algum os meninos reagiram. Até porque nem arma eles tinham. As armas todas, você sabe que foram plantadas. Já estavam com os meninos todos praticamente presos. Eles mataram porque quiseram, não porque os meninos reagiram. Em momento algum eles reagiram”, afirmou a testemunha em áudio ao qual o Metrópoles teve acesso.

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