Gleisi: versão de Derrite do PL Antifacção “dificulta muito o combate”
Ministra das Relações Institucionais expressou a insatisfação do governo diante do relatório apresentado por Derrite: “Lambança legislativa”
atualizado
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A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), afirmou nesta terça-feira (18/11), no momento em que a Câmara dos Deputados debatia o Projeto de Lei Antifacção em plenário, que o sexto parecer apresentado pelo deputado Guilherme Derrite (PP-SP) vai “dificultar muito” o combate às facções criminosas e que o vai e vem do texto é uma “lambança legislativa”.
Acompanhe a votação:
Derrite apresentou seis versões do relatório após críticas de governadores de centro e direita, e parlamentares governistas e oposição. A última versão, que está sendo discutida na Câmara nesta terça à noite, continua desagradando o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“O que está se votando lá é algo que, no nosso entendimento, dificulta muito o combate às facções criminosas. […] Achamos realmente que foi muito ruim apresentar seis relatórios de forma atabalhoada, não se reunir com ninguém. É importante dizer que no dia em que esse relator foi nomeado, duas horas depois ele subiu o relatório. Não conversou com absolutamente ninguém, não procurou o governo”, declarou Gleisi durante entrevista, no Palácio do Planalto.
Reunião cancelada
Segundo a ministra, a reunião marcada para a manhã desta terça para discutir o PL Antifacção com Derrite, o presidente da Câmara Hugo Motta (Republicanos-PB) e o ministro da Justiça Ricardo Lewandowski não aconteceu, porque o relator se negou a conversar com o governo.
“Ontem eu procurei o presidente Hugo Mota, pedi para que nós pudéssemos fazer uma conversa, o relator se negou a conversar com o governo e ficou conversando em paralelo com várias pessoas e não fez uma conversa com o governo. Nós achamos isso muito ruim”, disse Gleisi.
A chefe da articulação política do governo afirmou, ainda, que a orientação para a base aliada na Câmara é pedir para que se vote primeiro o projeto original, elaborado pelo Ministério da Justiça e enviada por Lula ao Congresso.
A ministra entende que a Casa tem votos o suficiente para que a matéria seja aprovada, mas espera que o resultado no Senado seja diferente.
“Então, nossa orientação é essa e a gente espera que no Senado a gente possa fazer uma discussão de maior nível em relação ao combate do crime organizado no Brasil. Espero que a gente consiga no Senado da República reverter essa situação”, informou.
Gleisi também disse que a relação com Motta não ficou estremecida depois do desgaste envolvendo a escolha do relator, que é ex-secretário de Segurança do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
“Eu já tinha deixado claro ao presidente Hugo Mota, de maneira muito franca, o que nós achamos desse processo. Obviamente, trata-se de um projeto que nós consideramos muito importante, mas isso não rompe o diálogo com a Câmara dos Deputados. Mas nós não poderíamos não deixar claro a nossa posição e a nossa insatisfação com a forma como foi conduzida”, disse.
Votação
O relator do PL Antifacção, Guilherme Derrite, apresentou seu sexto relatório durante a sessão para votar a proposta nesta terça. Antes de Derrite apresentar o parecer, os governistas protocolaram dois requerimentos para adiar a análise, ambos rejeitados pelo plenário.
O secretário de Segurança Pública de São Paulo leu o texto, de cerca de 50 páginas, na tribuna da Câmara. A sexta versão parece, finalmente, ter deixado os líderes partidários mais pacificados. Os ajustes foram poucos, a maioria de redação.
O principal ponto de atrito entre Derrite e o governo é sobre a competência e o controle dos recursos da Polícia Federal (PF).
