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Brasil

PF: Frias é suspeito de integrar organização criminosa que desviou verbas

Parlamentar é investigado por suposto desvio de recursos públicos para filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro

10/09/2026 12:24, atualizado 10/09/2026 12:55
Divulgação
Mário Frias

Em decisão que mira o filme Dark Horse, cinebiografia que conta parte da história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), cita relatório da PF que aponta o deputado federal Mário Frias (PL) como integrante de uma possível organização criminosa utilizada para desviar recursos públicos para bancar a produção audiovisual.

“As diligências preliminares indicam ‘a possível ocorrência de crimes, notadamente desvios de recursos públicos, praticados por organização criminosa – integrada pelo Deputado Federal Mário Frias – que teria direcionado verbas federais, via termos de fomento custeados por emendas parlamentares”, diz trecho da decisão ao citar investigação conduzida pela Polícia Federal.

Mário Frias foi secretário de cultura do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e é um dos produtores do filme sobre Bolsonaro. Ainda de acordo com as investigações, o parlamentar teria direcionado R$ 2 milhões, através de duas emendas parlamentares, para o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama.

“[As emendas foram] repassadas às Organizações Sociais denominadas Instituto Conhecer Brasil (ICB) e Academia Nacional de Cultura (ANC) – ambas presididas por Karina Ferreira da Gama, pessoa com registro de vínculos com o parlamentar federal [Mario Frias] – para custear contratos celebrados de forma fraudulenta e cuja execução não atendeu às finalidades previstas nos instrumentos contratuais, favorecendo empresas de propriedade de pessoas também ligadas aos integrantes da Organização Criminosa, com claros indícios de favorecimento e de desvio de valores”, sustenta a PF.

Ainda segundo a PF, a organização criminosa seria formada por agentes públicos e privados, e teria direcionado as verbas recebidas para empresas contratadas “sem comprovação efetiva dos serviços prestados”.

Na decisão, Flávio Dino sustenta que os valores repassados por Mário Frias são “materialmente incompatível tanto com os rendimentos por ele declarados quanto com os créditos identificados em suas contas bancárias comunicadas”. Neste sentido, o magistrado aponta que as transações colocam o parlamentar como “participante ativo da engrenagem financeira sob investigação.

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Karina Ferreira da Gama é dona da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse. Karina também é investigada pela Polícia Federal e, na manhã desta quinta-feira (10/9), foi alvo de busca e apreensão. Deflagrada na manhã de hoje, a operação Make Up investiga o financiamento ao filme Dark Horse e o suposto desvio de recursos para a produção da obra.

Mario Frias também foi alvo das diligências da PF, que foram autorizadas pelo ministro Flávio Dino. Em sua decisão, Dino também determinou que Frias não deve deixar o país e nem manter contato com os outros investigados no inquérito sobre o filme Dark Horse — inclusive com Karina Gama.