FMI afirma que Bolsa Família não tira mulheres do mercado de trabalho

Estudo enfatiza que a presença das mulheres na força de trabalho é decisiva para o desenvolvimento do Brasil

atualizado

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Lyon Santos/ MDS
Caixa paga beneficiários do Bolsa Família
1 de 1 Caixa paga beneficiários do Bolsa Família - Foto: Lyon Santos/ MDS

Um artigo publicado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) mostra que o programa Bolsa Família, do governo federal, não reduz a participação das mulheres na força de trabalho. 

A única exceção é quando para as mães de crianças com até seis anos de idade, devido às responsabilidades em casa, tarefas domésticas e cuidado com a família.

Publicado nesta semana, o estudo enfatiza, porém, que a participação das mulheres no mercado de trabalho ficou para trás “de forma significativa” – apesar de destacar que o Brasil teve uma “retomada impressionante” após a pandemia, ao registrar o nível mais baixo da taxa de desemprego em 25 anos em novembro de 2025 (5,2%).

Segundo dados de fevereiro deste ano do governo federal, das 18,84 milhões de famílias atendidas pelo Bolsa Família, mais de 15,9 milhões (84,38%) são chefiadas por mulheres.

Gráfico do FMI - Metrópoles
FMI afirma que Bolsa Família não tira mulheres do mercado de trabalho

“Conseguir inserir mais pessoas no mercado de trabalho é especialmente importante […]. Nossas estimativas sugerem que reduzir pela metade a diferença nas taxas de participação na força de trabalho de homens e mulheres, de 20 para 10 pontos percentuais até 2033, poderia elevar o crescimento anual do Brasil em cerca de 0,5 ponto percentual durante esse período”, afirma Bunyada Laoprapassorn, economista no Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI e autora do artigo.

O estudo ainda menciona a grande diferença salarial entre os gêneros, uma vez que, em média, o salário mensal das mulheres tende a ser cerca de 22% menor que o dos homens.

No Brasil, as mulheres dedicam em média 9,8 horas a mais por semana ao trabalho de cuidado não remunerado do que os homens. Essa carga é ainda maior entre mulheres negras, que chegam a dedicar 22,4 horas semanais, segundo dados do governo.

Por fim, a economista cita três alternativas que podem ser adotadas para ajudar mais mulheres a entrar no mercado de trabalho e fortalecer o crescimento econômico no Brasil:

  • Ampliar o acesso a creches e serviços de assistência a idosos de qualidade e a preços acessíveis, bem como ajustar a política de licença parental.
  • Ajustar as regras do Bolsa Família — por exemplo, de modo a calibrar melhor o recebimento dos benefícios após a contratação, com o intuito de reduzir possíveis desincentivos ao trabalho remunerado.
  • Resolver as disparidades salariais por meio de ações como a implementação eficaz da histórica Lei da Igualdade Salarial, de 2023.

O Bolsa Família foi criado no primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, e dá mensalmente R$680 para famílias que se encontram na extrema pobreza e que mantêm seus filhos na escola e com a caderneta de vacinação atualizada. O desenho do programa considera a composição das famílias, repassando um valor adicional por criança na primeira infância (R$ 150), por gestante, nutriz e jovem de até 18 anos incompletos (R$ 50). Atualmente, cerca de 50 milhões recebem o benefício.

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